Qua, 04 Nov, 11h48
(BR Press) - Com o reconhecimento do público e com o primeiro disco praticamente pronto, a banda Manacá tinha tudo para ser um dos destaques de 2008. O grupo ainda poderia aproveitar a popularidade da cantora Letícia Persiles, que, no final do ano, protagonizava a minissérie Capitu na TV. Mesmo com tudo favorável, só agora, o Manacá apresenta aos fãs o esperado álbum de estréia.
O longo período de tempo entre as gravações e o lançamento fez com que a banda fizesse algumas mudanças antes de apresentar o álbum ao público. Assim, o disco, que leva o nome da banda no título, ganhou novos arranjos para adaptar as músicas às novas influências do quarteto.
O recém-lançado disco do Manacá traz as 12 músicas, com toda a influência regional e folclórica, que o grupo aprimorou nos shows desde 2006. Lançado pela gravadora EMI, o disco, no entanto, não acompanha o amadurecimento que o grupo acumulou durante o tempo de espera.
Diferente
"Dois anos é bastante tempo para um artista. Quando gravamos o disco ficamos supercontentes com o resultado, tivemos toda liberdade de fazer do jeito que queríamos. Mas, se eu fosse fazer esse disco hoje, ele não teria essa cara", afirma Letícia Persiles, em entrevista a O Globo.
No repertório mesmo, pouca coisa mudou. Além das músicas autorais do disco, como A Flor do Manacá, O Galo Cantou, Diabo e Rosa Branca e Romã, o grupo acrescentou alguns covers, destacando Canto de Ossanha, música de Vinícius de Moraes e Baden Powell. O disco ainda contou com a produção de Mário Caldato, que já assinou discos de Mallu Magalhães, Marcelo D2 e Beastie Boys.
Rabeca e acordeon
A atual sonoridade do grupo Manacá explora os ritmos regionais, com introdução de instrumentos como rabeca, cello e acordeon. O reflexo da mudança é a incorporação de dois músicos de apoio, Lui Coimbra (violoncelo e rabeca) e Renato Cigano (acordeon) nos shows da banda. Mesmo com toda influência do universo nordestino, a banda foge de rótulos.
A busca é por uma oscilação maior de sonoridades, ou seja, uma mistura completa de ritmos. "Não temos a pretensão de ser uma banda carioca-nordestina. Mexemos com música boa. Se gostarmos de sons do Nordeste, do Leste Europeu, ou do interior do Sudeste, trazemos para banda. Também tem essa mistura do santo com o profano, que usamos bastante nas músicas", afirma a vocalista.
Teatro e literatura
Além da própria música, o Manacá tem relações diretas com o teatro e a literatura. Do nome da banda, inspirado no Romance A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, ao trabalho de 11 anos de Letícia como atriz. Já em relação ao nome, quem justifica é o guitarrista Luiz César Pintoni. "É nome de uma flor. No romance A Pedra do Reino, do escritor Ariano Suassuna, a flor do manacá era utilizada para produzir um chá alucinógeno, tomado em rituais para evocar Dom Sebastião", que, por sinal, aparece na capa do disco.
Disponível nas lojas do país, o novo álbum da banda Manacá custa, em média, R$ 29, 90. Quem quiser conhecer a sonoridade do quarteto basta acessar a página do MySpace: myspace.com/manacabr .
(Felipe Kopanski/Especial para BR Press)
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