EFE

Telefónica já pediu avaliação de possível compra da GVT

Qua, 04 Nov, 05h48

São Paulo, 4 nov (EFE).- A espanhola Telefónica, que melhorou hoje sua oferta para adquirir a operadora brasileira GVT, se antecipou a uma possível compra e já solicitou ao Governo federal para que avalie se a operação pode violar a legislação antimonopólio, informaram fontes oficiais.

Segundo um ato publicado hoje no Diário Oficial da União, o Ministério da Justiça abriu um processo para estabelecer se a possível aquisição da GVT por parte da Telesp, a principal subsidiária da Telefónica no Brasil, pode prejudicar a livre concorrência no mercado.

As consequências da possível "aquisição por parte da Telesp de todas as ações representativas do capital social da GVT" serão avaliadas pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça a pedido da própria Telesp e da GVT, segundo o ato publicado no Diário Oficial.

O controle da GVT também está na mira da francesa Vivendi, que fez uma oferta antes da empresa espanhola.

A Telefónica condicionava a compra da GVT à eliminação por parte desta das restrições à operação, o que aconteceu ontem; à aprovação prévia do processo pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à aceitação dos acionistas da operadora em vender mais de 50% de seu controle.

O processo foi acelerado na terça-feira com a decisão dos acionistas da GVT de modificar suas normas internas para facilitar a venda, confirmou hoje à Agência Efe uma fonte da empresa.

Os acionistas decidiram em assembleia geral extraordinária realizada ontem "dispensar" um possível comprador do pagamento de um "prêmio" de 25% sobre a melhor cotação dos últimos 12 meses.

A condição para tanto é que a oferta seja liquidada em dinheiro antes de 28 de fevereiro de 2010 a um preço mínimo por ação de R$ 48.

Além disso, o comprador deverá ser um fornecedor de serviços de telefonia fixa, móvel ou internet de banda larga com capacidade financeira suficiente para adquirir 100% do capital da empresa, embora isso não seja obrigatório.

Para estudar as propostas, o conselho de administração da GVT contratou na sexta-feira passada os serviços do Credit Suisse e do Goldman Sachs como consultores financeiros.

No início de setembro, a Vivendi chegou a um acordo para ficar com 20% da GVT e, depois, indicou que faria a mesma oferta, de R$ 42 por ação, para assumir o controle total da companhia, em uma operação avaliada em R$ 5,4 bilhões.

Esta última oferta ainda não foi efetivamente feita, mas teria que ser melhorada para cumprir as condições dos acionistas da GVT e superar a da Telefónica.

A Telefónica, por meio da Telesp, elevou hoje sua oferta inicial de R$ 48 por título para R$ 50,50.

A melhoria da oferta elevou em quase 2,7 bilhões de euros (quase US$ 4 bilhões) o valor que a empresa se dispõe a pagar pela GVT, informou a Telefónica em comunicado enviado à comissão de valores mobiliários da Espanha.

A GVT obteve lucro de R$ 57,2 milhões no terceiro trimestre de 2009 com faturamento entre julho e setembro de R$ 442,3 milhões. EFE

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