EFE

Crise política em Honduras concentra agenda do Grupo do Rio e da CALC

Qua, 04 Nov, 09h58

Montego Bay (Jamaica), 4 nov (EFE).- A crise política de Honduras e o acordo alcançado para solucioná-la foram hoje os destaques da agenda da reunião do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC) iniciada hoje na Jamaica.

Diversos responsáveis pela política externa da região debateram os principais pontos que serão analisados nas reuniões ministeriais do Grupo do Rio e da CALC realizadas em paralelo em Montego Bay, no oeste jamaicano, até sexta-feira.

O ministro das Relações Exteriores de El Salvador, Hugo Martínez, disse à Agência Efe que os presentes ao encontro discutiram pontos de interesse comum para a região como o desenvolvimento, a segurança e as relações entre os países.

Na jornada de trabalho do Grupo do Rio, o tema tratado foi "a crise política de Honduras e sua possível solução graças ao acordo alcançado pelas partes".

A segurança regional, as trocas comerciais e a crise financeira internacional foram outros dos assuntos examinados pelos comitês técnicos.

"Nós defendemos que, no tema de cooperação em matéria de segurança, a relação entre os Governos é muito importante. Em nosso caso, por exemplo, conseguimos há poucos dias a extradição de um salvadorenho para que fosse julgado sob nossas leis justamente por causa da cooperação com os Estados Unidos", explicou Martínez.

O ministro mencionou também que foi analisada a oportunidade de firmar as bases para "sair gradualmente da crise financeira".

"Pedimos há meses aos países desenvolvidos uma maior investimento de recursos em instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para que por sua vez possam apoiar projetos" na região, apontou o chanceler salvadorenho.

Outro pedido "muito importante" corresponde aos incentivos que os Governos da região podem conceder aos setores produtivos, especialmente aos microempresários, para dinamizar as economias.

A 28ª reunião de ministros das Relações Exteriores do Grupo do Rio começa nesta quinta-feira e analisará os temas da agenda da cúpula de presidentes do organismo prevista para acontecer no México em 2010.

Temas similares devem ser examinados pelo comitê técnico da CALC, incluindo o acesso ao trabalho.

O chanceler salvadorenho disse à Efe que a criação da União da América Latina e do Caribe no marco da CALC está na agenda de discussões, mas que, em termos gerais, ainda não há uma decisão.

"A proposta está sendo considerada, e inclusive se fala de fazer um só instrumento de trabalho entre o Grupo do Rio e a CALC, mas uma decisão definitiva será tomada na segunda cúpula de presidentes, no ano que vem", explicou Martínez.

A União da América Latina e do Caribe surgiu como um mecanismo de integração na primeira cúpula da CALC, no Brasil, em 2008, e foi uma iniciativa impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O México, por sua vez, propôs criar um novo mecanismo com base na convergência entre o Grupo do Rio e a CALC.

O primeiro-ministro da Jamaica, Bruce Golding, será o orador principal da reunião ministerial da CALC na cerimônia de abertura. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou presença no encontro. EFE

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