Qua, 04 Nov, 04h43
(atualiza com comunicado dos EUA após reunião com Suu Kyi).
Bangcoc, 4 nov (EFE).- A líder opositora birmanesa Aung San Suu Kyi apareceu hoje em público na cidade de Yangun pela primeira vez em mais de seis anos.
A Junta Militar que governa Mianmar a autorizou a deixar a casa na qual cumpre prisão domiciliar para se reunir com uma delegação do Governo dos Estados Unidos.
Condenada em agosto a mais 18 meses de detenção por supostamente violar a prisão domiciliar que cumpre desde 2003, Suu Kyi compareceu sorridente e com boa aparência ao luxuoso hotel Inya Lake, onde inclusive posou para os fotógrafos por alguns minutos sem impedimentos por parte das forças de segurança birmanesas.
Na entrada do hotel, que fica próximo a sua residência, Suu Kyi foi recebida pelo secretário de Estado adjunto americano para a Ásia Oriental e o Pacífico, Kurt Campbell, e o vice-secretário do mesmo departamento, Scott Marciel, que lideraram a delegação diplomática de mais alto nível a visitar Mianmar nos últimos 14 anos.
A líder opositora estava vestida com um traje típico de cor lilás e escoltada por diversos membros da brigada especial da Polícia encarregada de sua custódia.
No final da reunião, Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, parou na entrada do hotel, onde brincou quando alguém pediu para que sorrisse diante das câmeras.
"Este é um belo sorriso?", disse antes de seguir rumo ao carro que a aguardava para levá-la de volta para sua casa, na qual viveu 14 dos últimos 20 anos em prisão domiciliar.
No final de setembro, Suu Kyi se mostrou favorável à mudança de postura na política externa anunciada pouco antes pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para promover a reforma democrática em Mianmar.
A Nobel da Paz também enviou uma carta ao chefe da Junta Militar birmanesa, general Than Shwe, na qual fez a oferta de abandonar sua postura de apoio às sanções econômicas impostas a Mianmar por Estados Unidos, União Europeia (UE), Austrália e Japão.
Campbell e Marciel conversaram com Suu Kyi, secretária-geral da Liga Nacional pela Democracia (LND), o único partido político legal que resiste à intensa pressão do regime militar, pouco após retornar de Naypidaw, a capital do país, onde se reuniram com o primeiro-ministro, Thein Sein, e outros membros do Governo local.
"Durante nossas reuniões com o Governo, incluindo o primeiro-ministro, o ministro da Informação e outros, sublinhamos que os EUA está disposto a dar passos para melhorar as relações", disse Campbell ao ler um comunicado antes de deixar Mianmar em um avião da Força Aérea americana.
No entanto, Campbell destacou que "o processo deve ser baseado em esforços recíprocos e completos por parte do Governo birmanês".
O diplomata também disse no aeroporto de Yangun que o objetivo da missão foi explicar a posição de Washington ao Governo e à oposição de Mianmar.
Os EUA almejam convencer o regime birmanês da conveniência de realizar em 2010 eleições legislativas livres e justas, apesar de o general Than Shwe ter reiterado que quer organizá-las sem ceder às exigências da oposição e da comunidade internacional.
A última pena imposta a Suu Kyi despertou em agosto uma onda de condenações por parte da comunidade internacional. Segundo a determinação judicial, a líder opositora não poderá participar do pleito.
A LND, que com Suu Kyi à frente ganhou as últimas eleições em Mianmar, em 1991, ainda não decidiu se boicotará o próximo pleito em resposta à falta de liberdade de sua máxima líder.
As eleições e a Constituição de 2008 - que, segundo a Junta Militar, recebeu apoio de mais de 90% dos birmaneses com direito a voto - são os dois últimos passos do "mapa de caminho" elaborados pelos generais. EFE
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