Agência Estado

Taxa de equilíbrio no câmbio é R$ 2,10, diz secretário

Qui, 05 Nov, 01h58

A taxa de câmbio está em um nível que tende a prejudicar o crescimento econômico no médio prazo, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Ao falar a investidores e empresários em Nova York, ele acrescentou que há possibilidade de adoção de mais medidas para reduzir a valorização do real e reconheceu que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também está ajudando na arrecadação.

Segundo estimativa do secretário, a taxa de câmbio de equilíbrio (aquela que não estimula nem prejudica o crescimento da economia) estaria atualmente em torno de R$ 2,10 a R$ 2,12 por dólar. "Essa seria uma taxa neutra em relação ao PIB", afirmou a repórteres depois da palestra em evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. No nível corrente, o real está mais prejudicando do que ajudando o crescimento, argumentou.

Barbosa disse que o governo "está satisfeito" com os efeitos da adoção do IOF para a entrada de capital estrangeiro nas aplicações em renda fixa e variável no Brasil, já que reduziu a pressão sobre o real. Ele, no entanto, avisou que outras medidas relacionadas ao câmbio podem ser adotadas. Barbosa reiterou, porém, que o "câmbio é flutuante" e nenhuma medida teria o objetivo de torná-lo fixo.

De acordo com o secretário da Fazenda, "o IOF será mantido". "Se a moeda se valorizar, significa que valorizou menos do que ocorreria sem o imposto", afirmou. Barbosa ainda reconheceu que o IOF também está colaborando para elevar a arrecadação. Aos jornalistas, Barbosa explicou que a arrecadação gerada pelo IOF deve auxiliar no front fiscal para que "sejam mantidos estímulos já implementados", mas procurou destacar que este foi um "efeito colateral" do tributo, uma vez que o propósito era conter a valorização da moeda.

Em relação às previsões de crescimento do País, Barbosa previu que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter expansão maior no terceiro trimestre do que teve no segundo trimestre. Ele projetou avanço entre 2% e 2,5% (equivalente a mais de 10% anualizados) no terceiro trimestre e estimou expansão na faixa de 1,0% (de 4% a 4,5% anualizado) no último trimestre de 2009. Para 2009 como um todo, ele projeta crescimento de 1% e alta de 4,5% em 2010.

"Isso significa que estamos mais otimistas do que o mercado em relação ao número para este ano e mais pessimista do que o mercado para o próximo ano", disse ele a investidores e empresários, indicando que a projeção do mercado é superior à do governo em 2010.

O secretário acrescentou ainda que a valorização do real está empurrando a inflação para baixo e ponderou que, apesar da aceleração do crescimento, o índice está dentro da meta do governo. Segundo ele, será possível ver queda do juro real no Brasil, mesmo se houver aumento do juro real no mundo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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