Agência Estado

Telefônica aumenta oferta pelo controle da GVT

Qui, 05 Nov, 02h00

A Telefônica elevou ontem sua proposta pela GVT, operadora de telecomunicações que surgiu nas Regiões Sul e Centro-Oeste do País. A nova proposta, de R$ 50,50 por ação, é 5,21% maior que a de R$ 48 por ação oferecida em outubro e supera em 20,2% a da francesa Vivendi, que em setembro propôs R$ 42 por ação.

Em comunicado, a Telefônica justificou o novo preço pelos resultados apresentados pela GVT no terceiro trimestre deste ano. A Vivendi não se pronunciou. O mercado apostava que a GVT receberia uma nova proposta de compra, mas a maioria esperava que ela viesse da Vivendi ou de um terceiro competidor.

No terceiro trimestre, a GVT registrou lucro líquido de R$ 57,2 milhões, ante um prejuízo de R$ 14,8 milhões no mesmo período de 2008. "Esses resultados permitiram à Telesp (Telefônica) confirmar suas perspectivas em relação aos fundamentos de longo prazo da GVT", afirmou a empresa.

Antes da oferta da Vivendi, a Telefônica já havia estudado a compra da GVT. No ano passado, um executivo do grupo espanhol chegou a dizer sobre a GVT: "A gente quer comprar, mas o preço é muito alto." Essa percepção mudou depois do movimento da Vivendi. Logo após a proposta, Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica, defendeu a aquisição, afirmando que as duas operadoras são complementares.

Segundo analistas, além de o ativo ser bom, a Telefônica quer impedir a entrada de um novo ator no mercado brasileiro. Até Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, concorrente direta da GVT, chegou afirmar que preferia a operadora nas mãos da Telefônica que da Vivendi.

A TelComp, associação que reúne as concorrentes da Oi e da Telefônica, defendeu, em comunicado, que a GVT não seja vendida para uma concessionária local (no caso, a Telefônica). "A GVT é atualmente a única empresa-espelho (competidora) capaz de exercer pressão competitiva sobre as concessionárias locais, inclusive nos mercados de São Paulo, já que a empresa anunciou publicamente um agressivo plano de entrada nessa região", escreveu a TelComp.

A GVT seria uma ameaça se entrasse em São Paulo com os recursos financeiros da Vivendi. A TelComp chegou a apontar ameaça ao modelo da privatização, mas seria difícil a compra não ser aprovada, depois de, no ano passado, o governo ter mudado a legislação e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ter dado o sinal verde para a compra da Brasil Telecom pela Oi. O modelo da privatização impedia que duas concessionárias (empresas fixas originárias da Telebrás) se juntassem. Na ocasião, a Telefônica não se opôs - só ressaltou que queria tratamento isonômico.

Para especialistas, o verdadeiro objetivo da Telefônica ontem foi se antecipar a uma possível contraoferta da Vivendi e, ao mesmo tempo, tornar o negócio ainda mais caro para o grupo francês. A venda das ações da GVT está prevista para acontecer em leilão na Bovespa no dia 19 de novembro. A legislação determina que qualquer oferta concorrente precisa ser, no mínimo, 5% superior ao preço oferecido, ou seja, de R$ 53,03. Caso a Vivendi queira se manter na disputa, precisará agora se mostrar disposta a desembolsar R$ 7,3 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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