Qui, 05 Nov, 05h44
Nações Unidas, 5 nov (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, transmitirá ao Conselho de Segurança da entidade o polêmico relatório Goldstone, que fala sobre a comissão de crimes de guerra na Faixa de Gaza, caso a Assembleia Geral o peça, afirmou hoje sua porta-voz, Michèle Montas.
Os 192 membros das Nações Unidas debatem desde quarta-feira um projeto de resolução impulsionado pelos países árabes o qual pede a Ban que faça o relatório chegar aos 15 membros do Conselho.
"O secretário-geral da ONU fará o que a Assembleia Geral lhe pedir", assegurou Montás em entrevista coletiva.
O documento aponta que Israel e o movimento islamita palestino Hamas cometeram crimes de guerra durante a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza ocorrida entre dezembro e janeiro passados.
Durante os 23 dias de ofensiva, 1.400 palestinos morreram, em sua maioria civis.
As intensas negociações diplomáticas entre a União Europeia (UE) e os países árabes sobre o conteúdo do projeto de resolução provocaram hoje o adiamento da retomada do debate por algumas horas.
Os europeus ainda não conseguiram encontrar uma posição de consenso a respeito do projeto de resolução árabe.
"Continuamos negociando com os árabes, e os europeus entre si", disse à Agência Efe uma fonte diplomática europeia que confirmou a falta de consenso entre os países da UE no relativo à minuta apresentada pelos países árabes.
Diante deste panorama, a Presidência da Assembleia Geral transferiu a retomada do debate, iniciado ontem, para as 18h de Brasília, cinco horas depois do horário previsto.
A mudança também aumenta a possibilidade de que o projeto de resolução não possa ser votado até sexta-feira, já que há pelo menos 12 países que ainda têm que tomar a palavra.
As diferenças se centram no interesse de alguns Governos europeus em evitar que a resolução adotada pela Assembleia Geral possa ser qualificada como desequilibrada em prejuízo de Israel.
Embora os árabes pareçam contar com a maioria necessária entre os 192 membros das Nações Unidas para aprovar o texto, os europeus consideram que somar a UE reforçaria o isolamento dos EUA e de Israel em sua oposição ao relatório.
Washington deve acompanhar Israel na rejeição ao projeto de resolução árabe, já que consideram que o documento produzido pelo comitê presidido pelo ex-juiz sul-africano Richard Goldstone é "tendencioso".
De qualquer forma, embora a Assembleia Geral adote a resolução árabe, há muitas dúvidas sobre a possibilidade de que o Conselho de Segurança inclua o relatório Goldstone em sua agenda.
Seus autores recomendaram ao Conselho de Segurança para que peça aos dois lados que investiguem a atuação de suas forças durante o conflito, sob a ameaça de transferir o caso ao Tribunal Penal Internacional (TPI).
O conteúdo do relatório recebeu no último dia 16 o respaldo do Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão que tinha encomendado sua elaboração. EFE
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