EFE

Censura a "World of Warcraft" deixa Governo chinês em pé de guerra

Qui, 05 Nov, 07h05

Guillem Martínez Pujol.

Pequim, 5 nov (EFE).- A censura na China do jogo online "World of Warcraft" ("WoW"), que conta com mais de 12 milhões de usuários no mundo todo, desencadeou uma série de choques entre diferentes instituições do Governo chinês.

A decisão de proibir o jogo foi tomada na segunda-feira pela Administração Geral de Imprensa e Publicações (GAPP, na sigla em inglês), que pediu à NetEase, empresa responsável por operar o "WoW" no gigante asiático, a suspender sua atividades em relação ao software sob ameaça de punições.

No entanto, o Ministério da Cultura chinês disse nesta terça-feira que não compete à GAPP tomar este tipo de decisão.

O chefe do departamento de Mercados Culturais do Ministério, Li Xiong, assegurou que a GAPP "não tem nenhum direito de autorizar a NetEase a interromper a operação do "Burning Crusade", a última versão da saga "World of Warcraft".

Polêmicas relativas às competências de cada organismo são pouco comuns na China, um país com uma escala de decisões perfeitamente hierarquizada e no qual raramente há espaço para vozes dissonantes.

Para complicar ainda mais o assunto, a NetEase - uma das companhias mais importantes do setor do entretenimento online na China - emitiu um comunicado no qual nega ter recebido qualquer comunicado oficial a respeito da proibição do jogo.

"Até a presente data, nem a NetEase, nem a Xangai NetEase (filial da primeira) receberam alguma notificação da GAPP", diz uma nota da companhia.

A Netease afirma que "cumpre plenamente as leis da República Popular da China e está buscando esclarecimentos das autoridades governamentais".

A proibição é mais um passo da campanha de "limpeza" da internet conduzida pelas autoridades chinesas, que pretendem impedir o acesso aos conteúdos "pornográficos e violentos" pelos 380 milhões de internautas chineses.

A campanha já bloqueou o acesso a partir da China de milhares de páginas da internet, entre elas, pesos pesados como Facebook, YouTube e Twitter. No mês passado, ela chegou aos jogos em rede com a promulgação de uma nova lei que impede empresas estrangeiras de operar neste setor.

No entanto, a NetEase é uma gigante integralmente chinesa, fundada em 1997 na cidade de Cantão (sul). Seu lucro operacional foi de mais de US$ 280 milhões no ano passado e suas ações são cotadas no índice tecnológico Nasdaq, da bolsa de Nova York.

A reação dos internautas chineses, como era previsível, já que mais de um milhão de jogadores do "WoW" são da China, não demorou para chegar.

"Se acabarem com o 'WoW', todos os videogames nacionais teriam que acabar. Odeio todos os jogos supostamente aceitáveis", diz um internauta nos fóruns do portal Tianya.com.

"Não me importa qual agência do Governo supervisione os jogos pela internet, mas, seja quem for, nunca nos perguntam nossa opinião. Os jogadores são as maiores vítimas", diz uma chinesa na portal Sina.com.

"Com certeza a NetEase não pagou o suborno dos funcionários corruptos da GAPP. Na China, os negócios funcionam assim", escreve outro.

Criado pela companhia americana Activision em 2004, o "WoW" é um dos jogos mais populares da Internet e entrou para o livro Guinness dos recordes por bater o recorde de jogadores na web, 11,5 milhões, registrado em dezembro de 2008. EFE

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