BR Press

Manguebeat à paulistana

Sex, 06 Fev, 01h38

(São Paulo, BR Press) - No carnaval deste ano Pernambuco vai virar São Paulo e vice-versa. Isso porque o Festival Rec-Beat, criado por Antonio Gutierrez, em 1993, terá uma edição especial para os paulistanos entre os dias 26 e 28/02. O evento acontece todos os anos durante o período de folia em Recife.

Depois de agitar o carnaval pernambucano, os organizadores vão desembarcar na capital paulista para prosseguir com a festa, na edição especial Rec-Beat SP. Além dos artistas da nova cena do mangue, como Júlia Says, Catarina Dee Jah e DJ Dolores, o festival vai dar espaço para bandas latino-americanas: Desorden Péblico, da Venezuela, Bombaestereo, da Colômbia, e Original Hamster, do Chile.

Os shows acontecem na Choperia do SESC Pompéia, a partir das 21h. Clique aqui para conferir a programação completa.

Rótulos e identidade

O projeto Júlia Says, formado em agosto de 2007 por Pauliño Nunes e Anthony Diego, não se preocupa com rótulos e tem o objetivo de não fazer mais do mesmo e poder transitar livremente por várias vertentes da música, com identidade própria. A dupla, revelação do Rec-Beat de 2008, utiliza riffs de guitarra, bateria e programação eletrônica para criar os sons. As letras também chamam a atenção pela força semântica e pela pouca pretensão de transmitir mensagens que representem algo, como nos versos "Ele não tem nome, ele é apenas um suicida. Ele matou três pessoas. Ele matou a si mesmo", da música Mohammed Saksak.

O nome da banda foi inspirado no livro A Casa das Idéias, de Pedro Veludo, que pode ser resumido no seguinte trecho: "Há muito tempo Júlia tinha vontade de escrever um livro, inventar uma história, mas... achava que não tinha idéias. Às vezes ficava rabiscando no papel, mas nada! Nem o comecinho sequer! Ela só não queria que o seu livro começasse com 'Era uma vez... ' e terminasse com '... casaram e foram felizes para sempre'".

Cultura terceiro-mundista

Catarina Dee Jah é uma banda de Olinda, conhecida por sonoridades que valorizaram a cultura popular, a música tradicional, as periferias brasileiras e a cultura terceiro-mundista globalizada. A vocalista Catarina faz releituras da música criada e consumida pelos artistas de brega, cumbia, samba e hip hop, sempre apresentando figurinos irreverentes.

O estilo do grupo vai do dub ao kuduro, da música eletrônica ao tecnobrega, entre outros ritmos. Nessa empreitada, Catarina é acompanhada por Igor Medeiros (sintetizador), Homero Basílio (samplers e percussão), Felipe S (guitarra, orgão e backings vocals) e Mateus Alves (contrabaixo acústico e elétrico).

DJ Dolores

O pernambucano Helder Aragão, mais conhecido como DJ Dolores, já desfruta de boa imagem pelo Brasil há algum tempo. Sempre ativo, já trabalhou como designer gráfico e produziu documentários para TV. Começou na música ao compor trilhas sonoras para filmes e peças de teatro. Conhecido por utilizar plataformas giratórias e samplers como meio de expressão, já remixou músicas dos Tribalistas, de Gilberto Gil, Fernanda Porto, entre outros.

No cinema, compôs trilhas para os filmes A Máquina e Narradores de Javé. Com três discos já lançados, DJ Dolores foi vencedor do prêmio BBC World Music Award 2004, na categoria de "club global", em 2004. Dentro do festival Rec-Beat SP, ele vai apresentar o mais recente trabalho de estúdio, 1 Real, lançado pela Crammed.

(Silvio Luz/Especial para BR Press)

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