Sex, 06 Nov, 01h06
A indústria brasileira mostrou em setembro os primeiros sinais de recuperação mais consistentes após a crise mundial e ainda trabalha com folga no uso da capacidade produtiva. Os indicadores divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, pela primeira vez desde setembro de 2008, o faturamento real, as horas trabalhadas, o emprego e a massa salarial real aumentaram ante o mês anterior.
Apenas o nível de utilização da capacidade instalada recuou de 80,2% em agosto para 79,8% em setembro, o que a CNI considerou como um movimento de "acomodação".
"A indústria em setembro seguiu na trajetória de recuperação de forma mais abrangente", disse o economista-chefe da CNI, Flavio Castelo Branco. Embora tenham tido variação positiva em relação a agosto, todos os indicadores continuaram abaixo do nível de setembro de 2008. No acumulado de 2009, o resultado também é bem pior que o do ano passado.
Castelo Branco acredita, no entanto, que nos meses de novembro e dezembro já será possível ter alguns segmentos e indicadores mostrando crescimento em relação ao mesmo período de 2008. "O que significaria que estaríamos com uma trajetória mais próxima de superação da crise, o que só vai ocorrer de forma mais significativa em algum momento do primeiro semestre de 2010", disse. Para este ano, a CNI mantém a estimativa de queda de 4% do PIB industrial.
Um ponto importante dos dados da CNI, observou o economista, é que, em setembro, as horas trabalhadas na produção aumentaram pela primeira vez neste ano: 0,4% ante agosto. Nos meses anteriores, o comportamento das horas trabalhadas variava entre o campo negativo e a estabilidade. Esse é o indicador que mede de forma mais próxima a produção.
"É um ponto a destacar porque indica que ele vai passar a registrar trajetória positiva nos próximos meses", disse Castelo Branco. Em relação a setembro de 2008, ainda há uma queda de 10,4% e no acumulado de 2009, as horas trabalhadas estão 9,1% abaixo do mesmo período de 2008.
ACOMODAÇÃO
As vendas reais da indústria, medidas pelo faturamento, subiram 1% ante agosto. No ano, caíram 7,5%. O emprego subiu 0,2% em setembro e a massa salarial, 2,7%.
Castelo Branco considerou um "movimento de acomodação" a queda no uso da capacidade instalada. Ele destacou que a capacidade instalada no nível atual mostra a folga para atender à demanda. E lembrou que em janeiro de 2008 estava em 83,5% e em setembro de 2008, em 83%. "Tem espaço para crescer sem pressionar a capacidade instalada e sem gerar qualquer tensão nos preços e no fornecimento dos produtos."
Para Castelo Branco, o foco de atenção neste momento são as exportações, já que a demanda externa ainda não voltou à normalidade e tem impacto negativo nos segmentos com maior exposição no mercado internacional. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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