Sex, 06 Nov, 06h18
Pesquisa mostra que usuários peer-to-peer (P2P) que pirateiam músicas também são seus melhores consumidores
Por Nátaly Dauer
Pessoas que fazem o download ilegal de músicas na internet são também as que mais gastam com a indústria musical, de acordo com nova pesquisa realizada pela empresa inglesa Ipsos MediaCT e custeada pela Demos. O estudo descobriu que aqueles que admitem baixar canções ilegalmente gastam, em média, £77 (aproximadamente R$220) por ano com música, contra £44 (R$ 126) gastos por aqueles que afirmam nunca ter baixado músicas dessa maneira.
Para a realização do estudo, foram chamados 1.008 internautas do Reino Unido, com idades entre 16 e 50 anos. Um terço dos entrevistados admitiu utilizar fontes não oficiais para encontrar músicas, sendo que apenas 10% realmente realizava o download.
O site Ars Technica apresenta um gráfico (em tinyurl.com/yd272ha ) onde é possível ver o impacto da utilização de fontes musicais não oficiais.
Os dados da pesquisa vão contra a nova proposta do governo britânico, idealizada pela Secretário de Estado para Negócios, Peter Mandelson, que objetiva bloquear, por um mês, a conexão de usuários que promovam o download ilegal de arquivos mais de duas vezes. Tal medida poderia prejudicar os maiores consumidores da indústria musical.
Por outro lado, este estudo também sugere que o plano pode ser eficaz contra a pirataria, já que 61% dos entrevistados que admitiram o download evitariam a prática pra não serem banidos da rede.
No Reino Unido, estima-se que 7 milhões de usuários baixem músicas ilegalmente a cada ano. A Indústria Fonográfica Britânica ( BPI ) calcula que a violação dos direitos autorais causou um prejuízo de 200 milhões de libras este ano.
O site Tech Radar conta que Mark Mulligan, da empresa de pesquisas Forrester Research, afirma que as pessoas que partilham arquivos de música são as mais interessadas na arte, e que elas usam os sites de compartilhamento e P2P como ferramenta para descobrir novas opções de sons.
As opiniões dos artistas são variadas. Alguns, como Lily Allen e James Blunt, condenam veementemente o download ilegal de canções. Outros aprovam, como faz a popstar Shakira, ao afirmar que a prática a aproxima de seus fãs.
De qualquer maneira, a indústria ainda propõe medidas para minimizar os danos. Este ano, as gravadoras Virgin e Universal Music planejam lançar o primeiro serviço de música que permitirá aos inscritos fazer o download e armazenar faixas ilimitadas de seus catálogos, cobrando apenas uma taxa de, aproximadamente 40 reais, informa o site inglês Independent
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