Qui, 08 Jan, 02h28
Silvio Luz/Especial para BR Press
(BR Press) Desde Chico Science, que fundou o movimento mangue beat, Recife esbanja inspiração para a criação de novos e bons artistas. Bandas já consolidadas como Mombojo e Cordel do Fogo Encantado, além de Nação Zumbi, mostram que o cenário musical da cidade continua a fervilhar, sem previsão para a maré baixar. Kiko Klaus, Salvador Santo e Coco de Tebei são outras boas novidades recifenses, os três com discos inéditos lançados recentemente.
Com a experiência de quem já tem dez anos de carreira, Kiko Klaus mostra, com O Vivido e o Inventado, lançado pelo selo Camarada, o resultado de um enxame de influências, que vão de Mundo Livre S/A até Naná Vasconcelos, a quem o disco é dedicado. A ciranda, o samba de roda, o xote e o maracatu, ritmos referências na música pernambucana, estão todos no álbum. Há também um quê de influência espanhola, já que Kiko viveu um tempo em Barcelona.
Na faixa O Samba Chora, o uso impecável de sopros nos arranjos dá um sabor especial ao ritmo dançante. A voz suave de Kiko também gruda no ouvido, com o refrão "O samba chora/as lembranças da gente vai embora/passa feito estandarte e evolui/e evoluindo, conclui que a gente ainda tem o que aprender". É possível ouvir seis canções do disco no MySpace do cantor (www.myspace.com/kikoklaus3 ).
Pulsante
Com Beat Dos Dias, uma das faixas do álbum de Salvador Santo, e que leva o o seu nome, o cantor pernambucano deixa clara a influência que o mangue beat exerce sobre sua música. Com 13 faixas, o disco mistura samba, rock, MPB e batidas eletrônicas. No MySpace também é possível ouvir trechos de algumas músicas (www.myspace.com/salvadorsanto1). Na faixa As Palavras, do novo álbum, a batida cadenciada e os instrumentos de sopro proporcionam uma levada pulsante.
Salvador Santo, que também é compositor e DJ, já participou da banda Dona Margarida Pereira e os Fulanos, mais conhecida como DMP, de Pernambuco.
Coco é tradição
Por fim, a cidade de Taracatu, sertão pernambucano, é representada na nova safra musical pela banda Coco de Tebei. O nome é uma referência à dança de coco realizada para nivelar o chão de barro quando a construção de uma casa está para ser finalizada. O CD/DVD Eu Tiro o Couro do Dançador, lançado no fim de 2008, documenta a riqueza cultural da música e dança de Pernambuco. Os ritmos de tradição oral como o rojão-de-roca e o tebei, documentados pela missão de pesquisas folclóricas de Mário de Andrade, estão presentes na música do grupo.
Nas 16 músicas do disco, a banda valoriza e homenageia a cultura popular, dando visibilidade ao coco, às valsas e ao rojão-de-roça. O DVD traz o documentário Tebei, que segue a mesma linha de difusão da tradição local, além de cenas de shows gravados e depoimentos dos integrantes.
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