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Liquidificador e lixeira fazem reciclagem musical

Seg, 08 Jun, 03h02

(Belo Horizonte, BR Press) - Experimentações e reciclagens musicais. Um liquidificador suspenso com espaço para tudo. O gosto pela liberdade e a aversão às rédeas e cabrestos. O nome é apenas mais um detalhe de toda essa construção, ou desconstrução. Graveola e o Lixo Polifônico é uma banda de Belo Horizonte, formada em 2004, com uma única intenção: "enxertar fragmentos amaldiçoados da cultura pop, paródias e esboços de composições próprias, oscilando entre o lirismo e o deboche", como diz a definição oficial. O grupo tem show marcado em BH, no Reciclo 1, nesta quinta (11/06).

O lixo é o centro das atenções, e dele são criadas diversas camadas e texturas musicais, formando canções cheias de ramificações e preenchidas com muito experimentalismo. Copos, chaveiros e até uma lixeira em desuso, além do violão quase sempre presente, é material para este grupo que só quer mostrar seu imaginário "lírico-urbano-de-noticiário-de-rádio-AM-terceiromundista". O primeiro disco, homônimo, foi lançado no ano passado.

Mas por quê um nome conceitual como este? Luiz Gabriel, uma espécie de frontman da banda, garante que tudo não passou de uma grande brincadeira. "Tínhamos o lixo polifônico como se fosse um totem,que de fato era uma lixeira que usávamos para batucar, na falta de outros instrumentos (ela existe até hoje!). Aí colocamos várias palavras recortadas de revistas dentro e, depois de sabotar a integridade do processo algumas vezes - porque algumas palavras que saíram antes eram muito difíceis de usar, tipo "decadentismo", "acessibilidade" e "recomendação" -, demos com a reluzente sonoridade do nome "graveola".

Tom Zé

E todo esse experimentalismo e combinações malucas, porém coerentes, tem um grande inspirador. Ninguém menos que Tom Zé. "Ele é talvez o cara que sintetiza várias das nossas crenças estéticas,teóricas e sonoras. Devemos muito ao pensamento e à obra dele, foi e ainda é fundamental para várias das direções que tomamos. Talvez pelo fato dele ter sido, dos que emergiram no bonde do tropicalismo, um dos mais radicais. Acabou criando um universo muito próprio, uma obra muito diversa, mas profundamente coerente, cheia de auto-referências, cujos processos de desenvolvimento da linguagem são claramente visíveis", explica Luiz.

A banda encontra boa recepção na cidade natal, com um público que participa sempre e também se renova. Integrar o casting de festivais independentes e divulgar suas misturebas musicais por outras cidades é o principal objetivo dos Graveolas no momento. Para ouvir o som que vem lá de Minas acesse o MySpace do grupo, formado por José Luis Braga, Luiz Gabriel Lopes, Flora Lopes, Marcelo de Podestá, Yuri Vellasco, João Paulo Prazeres e Bruno de Oliveira.

Dia 11/06, a partir das 21h (seletiva para o Festival Lixo e Cidadania).

Entrada: R$ 8,00 (mulher) e R$ 10,00 (homem).

Reciclo 1 - Avenida do Contorno, 10.564; (31) 2535-0717; www.reciclocultural.com.br

(Silvio Luz/Especial para BR Press)

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