Magnet

Laboratório espera gerar 15 petabytes por ano

Sex, 18 Jul, 09h23

Por Gislaine Ceregatti e Henrique Cesar Ulbrich

O maior acelerador de partículas do mundo, localizado na fronteira entre a Suíça e a França, deverá gerar uma quantidade astronômica de dados a cada ano. As informações deverão ser disponibilizadas internamente e também para outras instituições do mundo todo em tempo real por meio de uma rede especial de alta velocidade, construída especialmente para esse fim.

Um dos maiores centros de pesquisa do mundo, o laboratório CERN, deverá colocar em operação em breve seu maior equipamento: o LHC, ou Grande Colisor de Hádrons na tradução. As reações efetuadas pelo acelerador de partículas devem gerar 15 petabytes (ou 15 milhões de GBs) de dados, a serem disponibilizados tanto para cientistas localizados no campus do laboratório quanto para dezenas de universidades e centros de pesquisa espalhados pelo mundo. As informações são do comitê responsável pelo desenvolvimento do projeto, o LHCC.

Para suportar tamanha carga, foi montada uma super-rede de comunicações constituída de fibra-óptica, dedicada somente ao tráfego de informações sobre o LHC ou geradas por ele, diz o site Digg. O processamento é realizado de forma distribuída, fornecendo aos cientistas uma capacidade equivalente a 100 mil CPUs.

A alta capacidade de transferência faz com que parceiros como os laboratórios Rutherford Appleton, na Inglaterra, possam acessar os dados em uma conexão de 10 Gbit/s, recebendo e enviando dados em estado quase puro (sem processamento) a 1.250 Mbit/s. Em 2005, essa capacidade era de apenas 600 Mbit/s e somente em ambiente de teste.

A expectativa é de que as conexões domésticas atuais alcancem esse patamar em duas décadas, diz um dos diretores do laboratório inglês, Andrew Sansum. Segundo o site de notícias CNet, Sansum aplicou a mesma proporção de 10 ou 15 anos atrás para chegar a essa conclusão: "há dez anos tínhamos aqui no CERN uma conexão com capacidade equivalente à que temos em casa hoje. É necessário apenas fazer o mesmo cálculo para prever que o que temos aqui agora chegará ao lares nos próximos 20 anos".

O CERN conta com a parceria do comitê responsável pela implantação da rede de dados para processar toda a informação: "não conseguiríamos fazer nada se não fosse a ajuda deles, nós aqui não temos capacidade de lidar com tudo isso", diz Sansum.

O laboratório CERN, ou Organização Européia para Pesquisa Nuclear (da sigla em francês), ficou conhecido mundialmente após ser utilizado como um dos cenários da trama "Anjos e Demônios" do escritor americano Dan Brown, o mesmo de "O Código da Vinci". Segundo a Wikipedia, a entidade foi criada em 1954 para possibilitar a pesquisa científica, de caráter internacional e não-militar, a respeito de partículas sub-atômicas. O coração do CERN é justamente o acelerador de partículas conhecido como Large Hadron Collider ou LHC, que está em construção há décadas. O LHC deverá entrar em funcionamento ainda em 2008.

Durante a construção do LHC foram desenvolvidas inúmeras tecnologias "acessórias" para facilitar a operação ou a documentação do acelerador. Algumas dessas tecnologias saíram dos limites do CERN e hoje são usadas no mundo todo. A mais conhecida delas é a navegação por páginas de hipertexto ou, como a conhecemos hoje, a World Wide Web. A web, criada por Tim Berners-Lee e Robert Calliau em 1989, nasceu como uma maneira de organizar a documentação gerada pelos pesquisadores do CERN. Assim como a web, estima-se que a tecnologia de rede de dados com velocidade ultra-alta também saia dos limites do CERN e chegue às residências das pessoas em 20 anos ou menos.

O LHC chegou inclusive à cultura popular. Em 1991 foi iniciada a Les Horribles Cernettes, primeira banda de rock a ter uma página na internet - também recém-criada. O maior sucesso da banda, formada por funcionárias do CERN, é, justamente, "Collider", que conta a história de uma secretária da instituição que namorava um físico, mas este a deixava sozinha porque amava apenas o acelerador de partículas. As iniciais do nome da banda coincidem com as iniciais do acelerador: LHC. Segundo a história oficial, o próprio Tim Berners-Lee pediu material da banda para fazer uma página que demonstrasse os recursos da web, então uma novidade. A página está online até hoje em musiclub.cern.ch/cernettes e contém as músicas da banda em MP3 para download.

A página oficial do LHC é lhc.web.cern.ch/lhc. Mais informações sobre a rede de dados do LHC podem ser obtidos na página oficial da própria rede, em lcg.web.cern.ch/LCG/.

RECOMENDE ESTA NOTÍCIA

Minha recomendação:

Média (Not Rated)

0.0 stars