Sex, 01 Ago, 07h40
Por Gislaine Ceregatti
Testes realizados pelo robô-laboratório depositado em Marte mostram traços congelados do elemento mais essencial à vida. Com a descoberta e as boas condições do robô, a NASA decidiu estender a missão por mais 5 semanas.
"Nós temos água". Essa foi a frase emitida com orgulho por William Boynton, pesquisador da Universidade do Arizona e responsável pelo Analizador Térmico e de Gases Sublimados (Thermal and Evolved-Gas Analyzer), o TEGA, equipamento que aquece as amostras afim de analisar os gases resultantes. Segundo ele, evidências de presença do líquido existiam apenas baseadas em observações de satélite e projeções, mas é a primeira vez que "a água de Marte é saboreada". As informações são do site oficial da NASA.
A busca por água em Marte não é recente. Em 2005, a sonda européia Mars Express já havia encontrado imagens do que pareceu ser gelo em uma cratera num dos pólo do planeta. Trinta anos antes disso, em 1976, as sondas do projeto Viking já haviam enviado dados que apontariam para a presença de água - o que na época causou certa comoção na comunidade científica, a ponto de influenciar a cultura popular. No mesmo ano, o roqueiro Raul Seixas lançou a música Eu também vou reclamar na qual, em um dos versos, diz após ler no jornal: "Um piloto rouba um Mig, gelo em Marte, diz a Viking, mas no entanto não há galinha em meu quintal" (a letra e o vídeo da canção podem ser conferidas pelo atalho tinyurl.com/62aevr).
Os bons resultados levaram a agência espacial a estender a missão por mais 5 semanas: a sonda deveria encerrar suas atividades em solo marciano no final de agosto, após 3 meses de estudos, desde 25 de maio, quando aterrissou no planeta. Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte na sede da NASA em Washington afirma que tanto as condições do robô e suas ferramentas quanto o "fornecimento" de energia solar são favoráveis. Assim querem aproveitá-las para obter mais resultados. A extensão da missão vai custar mais $2 milhões além dos $420 já gastos, segundo o New Scientist Space. Uma quantia irrisória se comparada à já investida e em vista dos resultados que pode trazer.
Entre as ferramentas mais importantes do laboratório inter-espacial está o "forno" TEGA. O equipamento aquece as amostras coletadas pelo braço mecânico da sonda e analisa os gases produzidos. Foi dessa forma que se pôde afirmar a existência de água em Marte. Já quanto à informação de existência de materiais orgânicos, que apontariam a existência anterior de vida no planeta, esta só poderá ser dada daqui alguns dias, afirma o Engadget. De acordo com o site, três ou quatro semanas serão necessárias para que estes dados sejam produzidos.
A sonda porém não analisa apenas o solo de Marte, mas também o céu. Um laser canadense de 30W está sendo empregado para coletar dados da atmosfera. "Temos um show de raios laser no céu de Marte", diz Victoria Hipkin da agência espacial do Canadá.
Ainda, um panorama colorido de todo o redor da sonda foi elaborado. Parece que todo o terreno, até onde é possível enxergar, apresenta gelo, diz Mark Lemmon da Texas A&M University, cientista responsável pela câmera que obtém imagens da superfície ao redor da sonda, a Phoenix's Surface Stereo Imager.
Como consta no site da NASA sobre o projeto, ele é dirigido por [Peter] Smith na Universidade do Arizona, com gerenciamento do Laboratório de Propulsão da NASA em Pasadena e em parceria com Lockheed Martin em Denver. Colaborações internacionais com a Agência Espacial Canadense, Universidade de Neuchatel, Suíça; Universidades de Copenhagen e Aarhus na Dinamarca, instituto Max Planck na Alemanha e o Instituto Metereológico da Finlândia.
A sonda Phoenix aterrisou em Marte em 25 de maio recente, com a missão de analisar o solo do planeta. A tarefa de encontrar água, elemento essencial para determinar a possível existência anterior de vida por lá, foi a mais cercada de expectativas.
Média (Not Rated)
Copyright © 2010 Geek. Todos os direitos reservados.