Seg, 22 Set, 08h25
Por Redação Yahoo! Notícias
Você já parou para pensar que grande parte dos brasileiros vota muito mais por questões de companheirismo e admiração pessoal do que por motivos realmente políticos?
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Como conseqüência, são eleitos o dono do bar, o pastor da igreja perto da sua casa e os artistas da TV e ídolos do esporte. Entre um Sérgio Mallandro figura da TV desde a década de 80, quando era jurado do "Show de Calouros" e um anônimo estudado e experiente na vida parlamentar, qual você acha que tem mais chances de ser eleito?
Diante deste quadro, que não acontece só por aqui, mas nos Estados Unidos também, onde Arnold Schwarzenegger foi eleito (e reeleito) governador da Califórnia, o Yahoo! Brasil investigou para tentar obter alguma teoria que explique tal fenômeno. Nas atuais eleições para prefeito e vereador, a lista de artistas que querem entrar para política é extensa e passa por algumas "celebridades" como a cantora e dançarina Gretchen, a apresentadora Christina Rocha, o cantor Netinho de Paula e o apresentador 'draq queen' Léo Aquila.
O que faz um artista querer entrar para a política? E o que leva um eleitor a votar nele?
Para a cientista política da USP, Maria do Socorro Souza Braga, os candidatos-famosos buscam status, pois eles já possuem a personalidade pública e agora querem ir além, conquistando também o poder de influenciar a vida política de seu país.
E como eles conseguem ser votados? "Para mim isto está relacionado a um aspecto psicológico" diz Maria do Socorro, que vê dois diferentes tipos de votos: o emocional e o racional. O primeiro leva em consideração os atrativos pessoais, como carisma, beleza estética e popularidade na mídia. E o segundo consideraria a preparação política do candidato. O interessante é que votar de um jeito ou de outro não leva em conta a classe social, pois há ricos e pobres que escolhem de acordo com a "cara bonitinha" do(a) candidato(a) em questão.
Já Paulo Edgar Almeida Resende, cientista político da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) acredita que os candidatos-famosos se aventuram na política só para conquistar ainda mais prestígio social. "Eu atribuo tal fenômeno ao voto ser obrigatório no Brasil. Voto é um direito, não uma obrigação, o que favorece muito as manobras políticas dos partidos" afirma Paulo Edgar, justificando o motivo pelo qual famosos são bem votados.
No quesito manobras políticas, vale tudo mesmo. Segundo pesquisa feita em 2004 e repetida agora em 2008 por Maria do Socorro, os partidos saem por aí escolhendo seus representantes com critérios às vezes duvidosos. "É cada vez maior o número de partidos que chamam candidatos famosos, pastores evangélicos e esportistas. Os motivos vão desde o menor custo na propaganda eleitoral até o fato de aproveitar a popularidade dessas pessoas" explica a autora da pesquisa. E Paulo Edgar confirma: "se continuarmos assim, teremos não mais partidos na Câmara, mas sim bancadas formadas por evangélicos, católicos, batistas, etc".
E você? Acredita que a política brasileira pode ser invadida por artistas e religiosos ou é mais otimista e prefere avaliar melhor seus candidatos para não jogar seu voto no lixo?
Para ajudar os eleitores nas eleições municipais deste ano, o Yahoo! Brasil entrevistou alguns candidatos-famosos (ou quase) para saber quais estão realmente levando a sério suas candidaturas. Pelas respostas abaixo, você poderá tirar suas próprias conclusões.
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