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IBM comemora 45 anos de seu mainframe S/360

Qui, 09 Abr, 02h11

No Brasil, um perfil no Twitter foi criado para espalhar notícias sobre a máquina

Por Stella Dauer
com Henrique Cesar Ulbrich

Surgido em 1964, o mainframe System/360 da IBM , computador de grande porte dedicado ao processamento de um grande volume de informações, completou 45 anos na terça, dia 7 de abril. A empresa preparou festividades para comemorar o fato – entre elas uma conta no Twitter.

Pelo microblog, para que os interessados possam acompanhar as últimas notícias sobre a lendária máquina. De acordo com o press release, “A plataforma continua antenada com as últimas tendências e resolveu festejar ao estilo 2.0. Durante o mês de abril, o Mainframe terá seu próprio ID no Twitter”. O perfil do aniversário pode ser acessado pelo seguinte endereço: twitter.com/45anosmainframe .

Um evento festivo também foi promovido pela empresa e teve a participação virtual de Karl Freund, vice-presidente mundial de estratégia para mainframe da IBM e também Paulo Perini, líder de mainframe da IBM Brasil.

O System/360 (ou, simplesmente, S/360), embora não seja o primeiro computador de grande porte da história, é considerado como o modelo pelo qual todos os mainframes, da IBM e de outros fabricantes, são arquitetados até hoje. Foi um grande sucesso comercial e técnico, à época.

Um pouco de história

Vale lembrar que, embora a IBM esteja dando destaque ao S/360 como “primeiro mainframe”, houve outros computadores gigantes anteriores a ele, inclusive da própria IBM . Um dos mais famosos é o IBM System 700/7000, do fim da década de 50, mas a primeira grande máquina – limitada, é verdade – a ser construída com esse propósito foi o ENIAC , de 1946, da empresa norte-americana ECC a pedido das forças armadas. O ENIAC foi uma grande calculadora para determinar o trajeto de mísseis balísticos, mas não ficou pronto antes do fim da segunda guerra.

Do ENIAC em diante, muitos computadores de grande porte apareceram. O System/360, no entanto, revolucionou a área de informática no anos 60, sendo responsável inclusive pelo envio do primeiro homem à Lua, atuando como suporte terrestre para a equipe da NASA no Projeto Apollo. A maioria dos mainframes surgidos após 1964, mesmo de outras marcas, eram baseadas ou tentavam imitar a estrutura básica do S/360.

A IBM gastou, à época, um valor de US$ 750 milhões em engenharia e US$ 4,5 bilhões em fábricas e equipamentos para que o System/360 fosse concebido, além da contratação de 60 mil empregados.

Antes do surgimento dos S/360, grandes processos de informação aconteciam em computadores que trabalhavam por lotes, ou seja, uma tarefa tinha que ser terminada antes do início de outra. No processamento por lote, os resultados podiam levar vários dias para chegar à mesa do solicitante. O S/360 introduziu o conceito de processamento online, no qual vários processos podiam ser pedidos ao mesmo tempo, com resultados imediatos.

A IBM tinha larga vantagem de mercado norte-americano (e, em certa escala, mundial) nessa e nas décadas seguintes. Para ilustrar o fato, e de forma maldosa, os profissionais de informática apelidaram o conjunto de fabricantes de mainframes como “ IBM e os Sete Anões”: enquanto a IBM era a grande “Branca de Neve”, outros sete fabricantes tentavam brigar pela pequena fatia de mercado que restava. Eram eles: Burroughs, UNIVAC , NCR , Control Data, Honeywell, General Electric e RCA . Posteriormente, GE e RCA abandonaram o mercado, reduzindo o número de concorrentes para cinco. As iniciais deles formavam a palavra BUNCH (“cambada”, em tradução livre) e assim foram chamados pelo público de informática de então.

Em 1966, a Bayer, indústria de produtos químicos, foi a primeira companhia a adquirir o S/360 no Brasil. Nos anos seguintes, esse equipamento tornou-se o cérebro eletrônico de muitas empresas e órgãos de governo que, em busca de maior rapidez e eficiência em seus processos administrativos e operacionais, começavam a criar seus próprios centros de processamento de dados. O System/360 também foi responsável, em 1968, pela primeira operação de teleprocessamento bancário do Brasil.

Ao redor do mundo, e especialmente nos anos 70, surgiram fabricantes locais que tentavam abocanhar uma fatia de mercado em seu próprio país. Na itália, a Olivetti, fabricante de máquinas de escrever e calculadoras, também tinha seu mainframe, bem como a Siemens na Alemanha, ICL e Ferranti no Reino Unido e NEC no Japão. No Brasil, a Cobra Computadores, estatal, chegou a fabricar computadores mas nenhum que fosse de grande porte.

“As notícias sobre minha morte foram um tanto exageradas”

A frase, atribuída a Mark Twain, serve como uma luva para essas máquinas gigantes. Desde mais ou menos duas décadas, seu fim já foi declarado por especialistas diversas vezes. Muitos afirmaram que os clusters, conjuntos de computadores que utilizam processamento distribuído, iriam substituir os mainframes, chamados de “dinossauros”. Entretanto, tais dinossauros estão longe de ser extintos e, ironia, estão simulando clusters por meio de ferramentas de virtualização.

Com um crescimento de 11% na receita da IBM só pela venda de mainframes, o Brasil é o terceiro maior comprador desse maquinário do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha.

Estamos escutando as necessidades dos clientes, entendendo para onde está indo a tecnologia e provando que o mainframe é o produto que o cliente vai querer para ver seu negócio prosperar., declarou George Walsh, vide-presidente e chefe de tecnologia da área de mainframes da
IBM , ao site IBM Systems Magazine .

“É verdade que no passado o mainframe foi um equipamento fechado e inflexível, mas isso mudou radicalmente. Hoje é uma máquina robusta e projetada para não ficar fora do ar; que permite a troca de um processador, por exemplo, sem a necessidade de desligar o equipamento.”, afirmou Paulo Perini.

www.geek.com.br

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