Ter, 10 Nov, 06h14
Washington, 10 nov (EFE).- A Noruega lidera a lista dos maiores doadores de ajuda humanitária do mundo, segundo um relatório divulgado hoje pela organização Associação para a Pesquisa de Assistência ao Desenvolvimento (Dara, na sigla em inglês).
"A cada ano, mais de 250 milhões de pessoas sofrem em desastres naturais e guerras e, com a crescente mudança climática, estas condições piorarão", afirmou em entrevista coletiva José María Figueres, ex-presidente da Costa Rica e membro da junta da Dara.
O grupo divulgou hoje seu terceiro "Índice de Resposta Humanitária", que classifica a forma como os Governos de 11 países e a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) administram, distribuem e controlam a ajuda concedida às populações afetadas desastres naturais ou conflitos.
"Quando a ajuda humanitária concedida pelos Governos supera os US$ 10 bilhões por ano, precisamos de uma medição da eficácia e de como se administra", acrescentou Figueres.
No índice da Dara, a Noruega substituiu a Suécia como o país doador que melhor cumpre com os parâmetros estabelecidos pelo organismo para medir o desempenho dos países e entidades doadoras.
Seguem a Noruega em ordem descendente: Suécia, Irlanda, Dinamarca, Comissão Europeia, Holanda, Luxemburgo, Suíça, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia, Canadá, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Bélgica, Áustria, Japão, França, Itália, Grécia e Portugal.
Segundo Silvia Hidalgo, diretora da Dara, "a crise econômica está tendo um impacto no financiamento da ajuda humanitária, mas, dado que na maioria dos países doadores essa ajuda foi orçada no longo prazo, o montante dos fundos não mudou muito. Por outro lado, a ajuda privada caiu".
Para a elaboração de seu índice, a Dara enviou observadores para 13 regiões de catástrofes ou confrontos dentre os pelo menos 325 desastres naturais e 39 principais conflitos armados ocorridos no último ano.
Em 2008, pelo menos 260 trabalhadores da ajuda humanitária foram assassinados, sequestrados ou feridos gravemente em ataques violentos.
Segundo a Dara, há no mundo quase 1 bilhão de pessoas que passam fome todos os dias e pelo menos 41 milhões de refugiados em países que não são de sua origem ou pessoas deslocadas à força dentro de seus próprios países.
Em áreas de conflito como Somália, Afeganistão e Etiópia, o pessoal de agências humanitárias teve que ser retirados devido a circunstâncias políticas ou de segurança.
"Na Colômbia, por exemplo, o acesso (das agências) é o maior problema, porque o Governo nega que exista ali uma crise humanitária", disse Hidalgo.
Philip Tamminga, que foi chefe de planejamento, controle e avaliação para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha/Crescente Vermelho, explicou que outro problema "é a falta de planejamento e preparação das agências de ajuda humanitária para situações que se sabe que exigiriam assistência".
"Todos sabemos quando a temporada de furacões se aproxima, mas, no Haiti, os organismos doadores de ajuda não fizeram alguma coisa para preparar a população ou os serviços antes que os furacões chegassem", explicou. EFE
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