Seg, 11 Mai, 08h40
Por Carolina Galassi, do Yahoo! Brasil
O show da banda britânica Oasis no Anhembi, em São Paulo, chamou atenção pela pontualidade, também britânica: a banda subiu ao palco exatamente às 22 horas, horário marcado no ingresso. Impressionante também como a chuva parou bem no momento em que a luz do palco se acendeu. Noel Gallagher, que costuma ser bem mais simpático que o irmão caçula, Liam, até chegou a brincar dizendo que os shows do Oasis na capital paulista sempre são embaixo de chuva, lembrando a tempestade que caiu há três anos, na última vez que a banda esteve por aqui. O público viu e ouviu um Oasis que falou muito pouco, quase nada em português, deu bronca, mas depois empolgou com seus hits.
Os irmãos Gallagher abriram o show com "Fuckin' In The Bushes", como previsto no set list da turnê, e já emendaram com "Rock 'n' Roll Star", ambas cantadas por Liam, que saía do palco quando seu irmão Noel assumia o microfone. No começo da apresentação, o Anhembi ainda não estava lotado, o que só aconteceu perto da metade do show.
Para fazer jus à fama de serem monossilábicos e de "causarem" em suas apresentações, quando alguém da pista VIP jogou algo no palco, os irmãos Gallagher deram bronca e ameaçaram parar o show caso o pessoal não se comportasse. Climão na plateia. Alguns só entendiam que os caras estavam meio bravos, mas nem sabiam o que eles estavam falando. Volta o show e Liam reclama outra vez, com um tom nem tanto educado: "isso aqui é um show de rock e não qualquer merda".
Bronca dada, continuam as músicas e os irmãos Gallagher tentam consertar o efeito das palavras pesadas com comentários mais simpáticos, elogiando o público e a cidade de São Paulo e, antes de cantar "The Masterplan", por exemplo, Liam disse que São Paulo é a segunda Manchester, o que deixou os fãs animados.
Falando em animação da galera, se pudéssemos comparar a empolgação de quem estava assistindo em relação a idade das músicas, quanto mais velhas as canções, mais o público gritava, pulava e cantava junto. Alguns porque foram mesmo só para ouvir os sucessos mais antigos, como é o caso da publicitária Ana Maria de Souza, de 33 anos, que estava junto de mais três amigas. "Eu quero ouvir "Wonderwall" e ir para casa, nem conheço muito as músicas do novo CD", disse ela. E a maioria pareceu pensar como Ana Maria, pois os pontos altos do show foram as faixas dos dois primeiros álbuns da banda, como "Morning Glory", "Don't Look Back in Anger", "Champagne Supernova", e a mais esperada de todas, "Wonderwall", que levou o público ao delírio. Detalhe para a versão acústica que Noel fez para "Don't Look Back in Anger", especialmente para esta turnê do novo disco.
Mas também seria injusto dizer que as seis faixas do novo CD, "Dig Out Your Soul" atrapalharam o andamento do show, que contou com vários solos de guitarra de Noel, uma qualidade de som impecável e um cenário de luzes e cores que se alternavam no palco, digno de um grande show de rock.
Destaque para o novo baterista, Chris Sharrock, que passou a fazer parte da banda recentemente. Aclamado pelo público, ele mostrou a que veio com um desempenho perfeito, fazendo com que a atual formação do Oasis não perdesse em nada para as anteriores.
O show foi cronometrado: exatamente 1 hora e 40 minutos após começarem, a banda se despede cantando "I Am the Walrus", cover dos Beatles - que uma vez os irmãos Gallagher afirmaram serem melhores, em um momento de pretensão absurda. E com um breve "Obrigado São Paulo" e Noel aplaudindo juntamente com o público, os meninos de Manchester deixam o palco e não voltam nem ao menos para um rápido "bis". E o mais estranho: a maioria não ficou ali para pedir ou esperar que isso acontecesse. Por isso, fica a pergunta: você já foi em algum show que não teve "bis"?
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