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Moda e cultura: Das passarelas direto para as ruas

Ter, 13 Out, 02h05

(São Paulo, BR Press) - As redes de fast-fashion se tornaram um dos maiores fenômenos da moda desta década. A idéia desse sistema é produzir de forma rápida e contínua as tendências que estão na moda, geralmente por um preço bem menor que os das peças de passarela.

Guardadas as devidas proporções, a experiência pode ser comparada com o surgimento do prét-à-porter, na década de 60, quando as casas de alta costura, como Chanel e Dior, passaram a produzir também roupas de tamanhos e condições padronizadas.

O uso de equipamentos industriais e de técnicas rápidas de confecção das peças diminuíram os custos, tornando a moda mais acessível para uma camada maior da população. Sem falar no "efeito made in China", onde quase tudo em termos de fast-fashion é produzido.

H&M e Topshop

O fast-fashion foi um dos grandes responsáveis por fazer com que grandes estilistas e celebridades desenvolvessem coleções mais populares. Um dos pioneiros foi o estilista Karl Lagerfeld, que, em 2004, criou uma coleção para a H&M, uma das maiores redes de fast-fashion do mundo.

O sucesso foi tão grande que outros nomes, como Roberto Cavalli e Stella McCartney, também resolveram mostrar versões mais baratas de suas criações. A próxima empreitada da H&M é lançar, a partir de novembro, uma edição limitada de sapatos e bolsas Jimmy Choo.

Considerada fora de moda nos anos 90, a rede britânica Topshop se reinventou recentemente com a introdução de linhas exclusivas produzidas por celebridades. A mais conhecida delas é a da modelo Kate Moss, que, desde 2007, cria roupas exclusivas para a loja.

Este ano, Moss desenhou o "vestido do ano", segundo o Museu da Moda de Bath (http://www.fashionmuseum.co.uk) , dono de uma das maiores coleções da história da moda. O vestido de Moss, que custava 60 libras (cerca de R$ 200,00), desbancou grandes marcas como Calvin Klein e Alexander McQueen, mostrando uma nova direção da indústria.

Moda rápida no Brasil

No Brasil, redes como a C&A, Riachuelo e Renner adotaram o sistema mais cedo do que se imagina e estão investindo cada vez mais em roupas com "valor de moda". Segundo Cristina Gabrielli, consultora de estilo da Oficina de Estilo, o esquema funciona bem por aqui. "As apostas são feitas a partir do que é desfilado por marcas importadas. Então, dá para a gente ter tudo antes dos lançamentos das coleções das marcas nacionais".

Em 2001, a Riachuelo firmou parceria com o estilista Fause Haten para a criação de uma linha de streetwear jovem, a Haten F. A C&A seguiu o mesmo caminho em 2006, chamando o estilista Marcelo Sommer, e agora em 2009, conta com uma linha de 30 peças criada por Reinaldo Lourenço.

"As pessoas têm desejo de moda hoje em dia. Estou adorando atingir este público", comentou Lourenço, na época do lançamento da coleção. A próxima designer a criar para a rede é Isabela Capeto, que fará uma coleção infantil.

Diferente das fast-fashion internacionais, como H&M, Topshop e Forever 21, as lojas do Brasil são mais pautadas no gosto popular. "O fato das economias estarem em estágios diferentes de desenvolvimento faz com que os conceitos de caro e barato também sejam diferentes entre os diversos países que sediam essas lojas", explica Cristina.

O que comprar

A variedade de produtos dessas grandes lojas pode ser um empecilho na hora de fazer compras. Os preços baixos são uma tentação para quem gosta de comprar muito e o resultado são peças que acabam nunca sendo usadas.

Para não correr esse risco, é importante conhecer bem o próprio guarda-roupa e estar atento à qualidade. "Tudo que a gente compra tem que dar certo com pelo menos três outras coisas que a gente já tenha no armário", sugere Cristina. "Tudo pode servir para mais de uma ocasião e render looks com formalidades diferentes".

As lojas de fast-fashion também são ótimas atualizadoras de visual: "Elas viram nossas melhores amigas quando queremos incrementar a base atemporal de nosso guarda-roupa com peças-tendência, baratinhas e quase descartáveis", complementa.

Viver o momento

Para além das tendências, comprar é sempre um exercício de entender o momento em que se vive e adaptar a roupa para as mais diversas atividades diárias. "A roupa tem que se encaixar no universo dos compromissos que a gente tem durante o dia, do transporte que a gente usa, das sacolas que a gente carrega, do ambiente de trabalho que a gente frequenta e até dos amigos que a gente tem", ensina Cristina.

Afinal, investir no próprio estilo e na construção de uma identidade de moda são sempre garantias de boas compras.

(Aline Botelho/Especial para BR Press)

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