Seg, 14 Jul, 11h50
(BR Press) - No dia 4 de abril de 2008, talvez o mais importante compositor e intérprete do rock nacional, Agenor Miranda de Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza, teria completado 50 anos. Para marcar essa data, chegou recentemente às lojas o DVD Pra Sempre Cazuza (Universal, R$ 32,90, em média).
Com trechos de entrevista e de programas exibidos pela TV Globo, o especial merece ser assistido pelo valor histórico, mas peca pela edição descuidada e pela pouca qualidade do som.
Inteiro e não pela metade
Em Pra Sempre Cazuza há trechos de dois programas exibidos na televisão. O primeiro é Mixto Quente, gravado numa praia carioca em pleno verão de 1986, que mostra um Cazuza recém-saído do Barão Vermelho interpretando o clássico de sua ex-banda Por Que A Gente É Assim?, além de Exagerado e Medieval II.
O segundo é o especial Cazuza Uma Prova de Amor, uma das últimas aparições do artista, em 1989. No repertório, há duetos com Frejat (Ideologia e Blues da Piedade, também com Sandra de Sá) e Simone (Codinome Beija-Flor). Lamenta-se, porém, a perda de oportunidade de ter lançado esses dois programas na íntegra e não apenas em trechos.
Cinema
Outra parte do DVD é dedicada às músicas compostas para o cinema e aos depoimentos. Entre as canções cinematográficas, aparecem Bete Balanço (com Frejat), composta para o filme homônimo de Lael Rodrigues. Foi para outro filme deste cineasta, Rádio Pirata, que Cazuza compôs também Brasil, aqui dividida com Gal Costa.
Também há um dueto com Gilberto Gil em Um Trem Para as Estrelas, canção-tema do filme que levou o nome da canção, dirigido por Cacá Diegues. O destaque é a presença de cenas dos filmes. Aliás, pede-se com urgência que os filmes de Rodrigues finalmente sejam lançados em DVD.
A última parte é dedicada a depoimentos de amigos de Cazuza, como Ney Matogrosso, Sandra de Sá e Simone, e também do próprio artista, numa entrevista bastante rara, que, apesar da precariedade sonora, merece ser escutada com atenção. "Pintou o AI-5 e a ditadura, e a música ficou mais séria. De repente ficou cafona, fora de moda, falar dos problemas do dia-a-dia, da futilidade da rapaziada. Ficou uma coisa mais para Cálice' (música de Gilberto Gil e Chico Buarque)", avalia Cazuza.
"Mas eu acho que a leveza teve uma retomada depois, com essa rapaziada nova que está aí (Blitz, Barão, Paralamas, Ultraje, Titãs, etc.), do bom-humor e da coisa de falar do dia-a-dia com vergonha, da praia que você vai, do bar, das namoradas, das besteirinhas mesmo dos jovens", declara.
(Guilherme Bryan/Especial para BR Press)
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