Qua, 15 Jul, 02h57
Cheio de problemas, Speedy não fixa data pra voltar ao normal
Por Tatiana de Mello Dias
São Paulo, (AE) - O Facebook está crescendo, o Chrome OS é revolucionário, mas nada disso faz sentido se não há conexão com a internet. Em São Paulo, mais de dois milhões de clientes do Speedy têm de conviver com falhas e interrupções na internet há pelo menos um ano. Fábio Bruggioni, diretor executivo de negócios da Telefônica, falou sobre o plano de recuperação - mas a empresa não passou datas definitivas para a resolução dos problemas.
Grupo Estado - Dá para estabelecer um prazo para o fim das falhas?
- Todos os nossos esforços estão concentrados em prestar um melhor serviço, até por orientação da Anatel. Temos uma companhia inteira voltada exclusivamente para nossa base. O plano apresentado apresenta fases de 30, 90 e 180 dias, mas eu estou confiante de que antes disso teremos melhoras.
Grupo Estado - Os usuários do Speedy serão ressarcidos pelas falhas ?
Fábio Bruggioni - Sim. Essa foi uma postura adotada desde o primeiro problema. Sabemos que os transtornos não foram poucos e esse é um compromisso não só contratual, mas também moral.
Grupo Estado - Por que o investimento anunciado agora não foi feito antes?
Fábio Bruggioni - No ano passado, investimos R$ 500 milhões. Nesse ano, serão R$ 750 milhões. Não dá para botar culpa na falta de dinheiro, seria injusto com os investidores. Sempre tivemos solidez financeira, mas nossos serviços não foram suficientes para entregar o que nosso cliente espera. O problema não é falta de dinheiro.
Grupo Estado - A Telefônica tem a maior rentabilidade entre as telecoms, mas é líder em reclamações . Não é um contrassenso?
Fábio Bruggioni - É preciso por essa questão em perspectiva. Uma história como a da Telefônica não se constrói da noite para o dia. Lançamos a banda em São Paulo antes do Reino Unido e Itália, e fomos os primeiros a cumprir as metas de universalização.
Grupo Estado - Haverá mudanças no atendimento ao cliente?
Fábio Bruggioni - Vamos revisar a comercialização. Precisamos ser mais cuidadosos, porque muitas vezes prometemos e não conseguimos entregar. Temos uma pré-qualificação de quem pode ter Speedy, mas ela não é precisa porque trata-se de uma rede física sujeita a imprevistos.
Grupo Estado - Houve falhas da Anatel?
Fábio Bruggioni - De forma nenhuma. A gente não divide a nossa culpa nem com fornecedores, nem com a Anatel. O órgão regulador fez o seu papel, nos penalizou com uma decisão super dura, que é a suspensão da venda (a Telefônica foi proibida no dia 22 de junho de comercializar o Speedy).
Grupo Estado - Depois de solucionados os problemas, como reconquistar a confiança dos clientes?
Fábio Bruggioni - Fazendo mais e falando menos. A nossa política tem sido a de transparência, de assumir os problemas e não dividir a culpa. Pelas pesquisas, as pessoas creem que podemos dar a volta por cima.
Gruppo Estado - A Telefónica espanhola estuda mudar o nome da marca para Movistar.Há previsão de alteração no Brasil?
Fábio Bruggioni - Por enquanto, não. Esse tema está na corporação em alguns outros países, onde as operações fixas e móveis são integradas. Aqui há uma dinâmica diferente, temos parte da Vivo (a Telefônica tem 50% e a Portugal Telecom, 50%), então é difícil.
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