Qui, 15 Out, 02h52
Por Fabio Pescarini, Tempestade Comunicação/Especial para o Yahoo! Brasil
O jornalista William Douglas, 24 anos, precisou de pouco mais de dois meses para radicalizar na programação de três das quatro semanas de suas futuras férias. Com organização da escola de inglês que frequenta, viajou para a África do Sul no último mês de agosto, conheceu os estádios da próxima Copa do Mundo e entrou para a estatística dos milhares de brasileiros que todos os anos vão ao exterior em busca de aprendizado, cultura e experiências inesquecíveis.
Somente no ano passado, 140 mil estudantes brasileiros embarcaram, de acordo com números informados no Salão do Estudante realizado em março, no Rio de Janeiro. A expectativa é que até o fim de 2009 esse número cresça perto de 40%, em virtude da influência do dólar baixo.
Se você sempre sonhou com a chance de estudar lá fora e criou coragem, vá em frente. É muito mais fácil do que se imagina. Existem várias oportunidades de estudos no exterior, de programas rápidos voltados para adolescentes, com permanência média de três a quatro semanas nos Estados Unidos, com preços médios a partir de US$ 3 mil (mais passagens), a sofisticados cursos de pós-graduação.
De acordo com Luiza Vianna, gerente da CI, empresa apontada como a maior rede de intercâmbios no país, o estudante pode optar apenas por um curso de idioma ou combinado com outro, como dança, esporte ou culinária. Pode também aperfeiçoar a nova língua com aulas relacionadas a negócios, marketing ou turismo, entre outros. Ou ainda fazer cursos técnicos, universidades e as pós-graduações e especializações.
Para os adolescentes com idade entre 15 e 18 anos, morar em uma casa de família durante o ensino médio nas high schools é uma sensação inesquecível. "Levei meses para convencer meus pais de que iria conseguir me virar lá fora, pois já estava na hora de deixar o colo deles", lembra Camila Coimbra, 18 anos. A jovem ficou um ano em Ottawa, no Canadá, passou frio, estranhou a alimentação, seus pais canadenses, mas faria tudo de novo. "Trouxe um aprendizado para o resto da vida."
Também é possível estagiar, trabalhar no exterior nas férias ou durante o período em que se ficar no país. Mas, segundo a executiva da CI, é preciso tomar cuidado com a legislação de cada nação. "Em alguns países há limite de carga horária de trabalho para o estudante e nem sempre é fácil conseguir emprego", diz. "O ideal é ter dinheiro para se sustentar durante o período de estudos lá fora."
A universitária Janaína Ressineti Ruocco, 22 anos, largou o primeiro ano da faculdade de processos químicos e voou para Denver, onde foi confirmado um programa de au pair - trabalha (e tem salário para isso) como babá de duas crianças, uma de 2 anos e meio e um bebê de 7 meses. A jovem está na residência de uma brasileira casada com um norte-americano e, se por um lado o fato de falar português em casa ajuda a reduzir os traumas que uma nova cultura sempre proporciona, por outro, há uma demora maior em se aprender o inglês. "Mas na rua sou obrigada a me virar."
O jornalista William Douglas viajou para Cidade do Cabo (Cape Town) focado, pois queria sentir o clima da próxima Copa do Mundo um ano antes. "Decidi o destino meio em cima da hora, pelo preço e pelo fato de não precisar de visto para entrar no país. Para outros países, talvez não tivesse conseguido organizar tudo de forma tão rápida", diz. O custo total da viagem girou entre R$ 6 mil e R$ 6,5 mil pelas três semanas na África do Sul e experimentou uma diversidade cultural sem comparação, pois o jovem ficou em uma casa de família com mais seis estudantes estrangeiros - o brasileiro teve como companheiro de quarto (e de baladas) um árabe, um colombiano, um alemão, um francês, um japonês e um suíço. "Precisávamos falar inglês de todo jeito, pois de outra forma a coisa não virava", afirma William, que já voltou com planos para o destino das próximas férias: a Nova Zelândia.
O que é importante saber:
Qual a melhor idade para estudar em outro país?
Depende muito do perfil de cada pessoa, da maturidade e da viabilidade de cada um. Se uma pessoa pode fazer um intercâmbio quando jovem, muito bom, pois já chega mais capacitado para o mercado de trabalho. Entretanto nunca é tarde.
Quais são os melhores destinos?
Também varia de acordo com perfil do estudante. Se uma pessoa gosta de praia, a Austrália é uma opção tentadora. Se prefere museus, melhor ir para outro país, como França. Em virtude da queda da libra e do dólar, destinos como Reino Unido e Nova Zelândia, tiveram aumento de procura.
Como planejar uma viagem, quais cuidados e documentações necessárias?
Depende do país onde a pessoa pretende estudar. Locais como Nova Zelândia e Inglaterra necessitam de organização antecipada. Entretanto, quando se pensa em fazer qualquer viagem, quanto maior a antecedência, melhor. O ideal é planejar bem e avaliar bem a agencia que está organizando toda a documentação para evitar preocupações.
É preciso ter conhecimento da língua local antes de viajar?
Depende muito do país e da escola que vai acolher o aluno. Em muitos casos é possível aprender a língua no próprio país.
Como aproveitar ao máximo o tempo lá fora?
Quanto mais se informar sobre o destino, melhor, mais fácil será a adaptação. O ideal é ter mente e coração abertos para as novas experiências. Isso tudo faz parte do intercambio.
Quanto tempo pode se ficar lá fora?
É preciso avaliar que determinados países exigem visto de permanência, obrigando uma conciliação do tempo de duração do curso com o prazo do visto.
Na Irlanda, por exemplo, o estudante pode receber autorização de permanência por até um ano, mas, se decidir por estender sua estadia, é necessário solicitar nova aprovação das autoridades locais.
Quais as dicas para não ser deportado?
Ter sempre a documentação em ordem. Respeitar as regras e as leis locais para se ter um bom convívio em sociedade. Obedecer o tempo máximo de permanência e o permitido de trabalho.
Veja onde procurar intercâmbio:
Academia Cursos
Aiusa - Inter-Brasil
Bex
Bil Intercâmbios
CI
Cia do Intercâmbio
Conection Line
Educnet
Experimento
Friends in the Word
Intercâmbio Global
Média (Not Rated)
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