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Os músicos prodígios

Sex, 16 Out, 04h42

Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil


Há algumas semanas, eu escrevi sobre a longevidade de vários músicos em suas carreiras e como eles ainda têm muita energia nos palcos, apesar da idade bem avançada. De lá para cá, percebi também que a música pode aparecer cedo na vida de alguns, com maestria, sentimento e técnica apurada, apesar da pouca experiência e idade. São pessoas com uma habilidade incrível de observação e absorção de informações, que aprendem tudo com muita facilidade.

O mais célebre exemplo na história é o de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), que mostrou desde muito cedo a sua excepcional habilidade musical, um verdadeiro gênio precoce. Começou a escrever minuetos para o cravo com cinco anos, compôs a primeira sinfonia aos sete e uma ópera aos 12, idade em que já fazia longas viagens pela Europa, tocando para reis, rainhas e o papa, sempre acompanhado pelo pai Leopold, que era seu grande incentivador e professor. Ele deixava todo mundo boquiaberto com sua técnica no violino e no cravo, inclusive tocando os instrumentos com os olhos vendados.

No mundo pop, temos o rei Michael Jackson (1958-2009). Assim como Mozart, ele foi impulsionado e treinado na música pela mão de ferro de seu pai, Joe Jackson, que formou o Jackson 5 junto com seus outros filhos. Michael tinha apenas oito anos, mas antes disso, aos cinco, já fazia performances na escola nos recitais de Natal. Ele também chamou a atenção da revista Rolling Stone, talvez a mais importante do mundo da música, no final da década de 60, sendo classificado como "garoto prodígio", "talento musical excepcional" e "destaque e líder do grupo". É realmente fantástico assistir aos vídeos antigos do Jackson 5 com Michael tomando conta do palco de uma maneira natural e fenomenal. Chega a ser hipnotizante e até um pouco assustador ver tanto talento em alguém tão novo.

Aqui no Brasil, há a dupla Sandy & Júnior, que começou a carreira praticamente no berço. Os irmãos, filhos do cantor sertanejo Xororó, foram impulsionados para a música não por uma imposição dos pais, como nos exemplos de Mozart e do Michael Jackson, mas por viverem em um ambiente muito propício para isso. O avô deles é o Zé do Rancho, um dos pilares da música sertaneja no Brasil, e o pai, junto com o tio Chitãozinho, é um dos maiores nomes da música brasileira. Vivendo nesse ambiente em que as festas de família sempre rendiam encontros musicais com cantorias e muita viola caipira, naturalmente os irmãos queriam imitar os adultos e começaram a cantar. Percebendo essa vontade e notando o talento nato, os pais deram total apoio à carreira. Os dois gravaram o primeiro disco quando Sandy tinha seis anos e Júnior, cinco, tornando-se sucesso absoluto logo de cara. A dupla é uma das campeãs de vendas da história da música no Brasil, um verdadeiro fenômeno.

Jair Oliveira, hoje produtor musical, compositor e intérprete, filho do grande Jair Rodrigues, também começou cedo a carreira no grupo Balão Mágico, grande sucesso da TV infantil na década de 80.

Outro exemplo é o de Shirley Temple (1928-), considerada a maior estrela mirim de todos os tempos. Começou a ter aulas de dança com três anos e já aos seis ganhou um Oscar. Dançava, cantava e atuava em grandes filmes de Hollywood, conquistando o público com um sorriso único e cativante.

Acho que o talento não é difícil de ser percebido, fica óbvio que uma criança tem, ou não, uma capacidade artística, seja ela na música, na pintura, na dança ou no que for. O apoio da família é fundamental - sem ela, fica quase impossível a manutenção da carreira. A difícil "arte" de conciliar os estudos com a agenda de ensaios e shows, o assédio e a falta de privacidade, entre outras situações, são algumas das dificuldades que se encontra pelo caminho.

Não há como controlar o impulso natural dos artistas. O talento, quando acontece, toca a alma das pessoas, é bonito. Se for "explorado"
com inteligência, pode transformar a vida de alguém em uma coisa fascinante, que vai inspirar e instigar muita gente por várias gerações.

Andrés Segovia (1893-1987), o pai do violão erudito, começou a dedilhar aos quatro anos de idade, revolucionou a música erudita e tocou até os 94. Noventa anos de música! Fabuloso.

Abraço and play it loud!
Andreas Kisser

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