Ter, 17 Fev, 03h08
Silvio Luz/Especial para BR Press
(BR Press) - Promovida pela Prefeitura do Recife, a abertura oficial do Carnaval da cidade será liderada, pelo oitavo ano consecutivo, pelo percussionista pernambucano Naná Vasconcelos. Para este ano, junto com 14 nações de maracatu e 600 batuqueiros, o músico convidou Caetano Veloso. A festa está marcada para começar nesta sexta (20/02), às 19h, na Praça do Marco Zero.
Em entrevista por e-mail à BR Press, Caetano fala sobre a expectativa de participar da abertura do carnaval pernambucano ao lado de Naná, certo de que deixar a Bahia em véspera de Carnaval coisa rara não será um programa de índio.
Após cortejo com o tradicional ritmo de Pernambuco, o maracatu, Naná vai inaugurar oficialmente o Carnaval pernambucano e dividir o palco com Caetano, além de fazer um diálogo musical com o jovem pianista Vitor Araújo, no qual será acompanhado também pela Orquestra Popular da Bomba do Hemetério.
Nagô
Antes da apresentação de abertura, Naná Vasconcelos ensaia com os grupos de maracatu nesta terça e quarta (17 e 18/02), também às 19h. Neste ano, o músico vai homenagear as tradições do povo nagô por meio de duas personalidades: Dona Santa, conhecida como a eterna rainha dos maracatus, e Mãe Menininha do Gantois, importante ialorixá do Brasil, para quem Naná compôs uma música inédita que será apresentada na abertura do Carnaval.
Marchinhas
Caetano disse que se apresentar ao lado de Naná será uma experiência intensa e que é apaixonado pelo Carnaval de Pernambuco há muito tempo.
Confira a seguir o bate papo com o cantor e compositor:
Há quanto tempo conhece Naná Vasconcelos?
Caetano Veloso - Conheço Naná desde os anos 70. Eu o considero um dos maiores artistas que o Brasil já produziu. É também um dos que melhor representam o Brasil no mundo. Ele aprimorou o que havia de mais rico na tradição brasileira, trazendo enorme riqueza timbrística, sentido do espaço, sutileza temática e consciência dos valores históricos.
Qual sua expectativa para a apresentação ao lado de Naná? Já preparou alguma coisa? Você vai ensaiar antes com os 600 batuqueiros das nações de maracatu?
Caetano Veloso - Já é uma grande emoção ter recebido o convite de Naná. Combinamos pelo telefone o que devemos fazer. Haverá um ensaio, sim. Ver e ouvir os 600 batuqueiros, cantar com eles... Será, sem dúvida, uma experiência intensa.
Qual a importância de valorizar uma cultura tão rica e particular como a de Pernambuco, com seu tradicional maracatu e Carnaval?
Caetano Veloso - O Carnaval do Recife é um mito na minha cabeça desde a infância. Há dois anos, eu o vi de perto. Foi sensacional! É um tesouro nosso e, como tal, devemos tratá-lo.
Qual sua opinião a respeito do Carnaval de hoje? Ainda é possível sonhar com um retorno atualizado às tradições dos festejos de rua? O que pensa do Carnaval contido apenas numa grande avenida?
Caetano Veloso - Não conheço carnaval contido numa única avenida. Nem no Rio, nem na Bahia, nem no Recife é assim. Tampouco sinto necessidade de retorno a tradições. Gosto dos três grandes carnavais do Brasil, que são os únicos que conheço de perto, e como eles se desenvolvem. Amo axé music, sambódromo e maracatu rural com aquelas perucas ou adereços de cabeça como que nascidos de ficção científica japonesa. Gosto de frevo tradicional, de samba-reggae, de marchinha dos anos 50 e de neo-pagode baiano.
Neste ano, Naná vai homenagear a ialorixá Mãe Menininha do Gantois. Qual a dimensão e importância disso para a cultura brasileira?
Caetano Veloso - Acho bonita a escolha. Está dentro do sentimento da história que já observei a respeito de Naná.
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