BR Press

Vai para o trono ou não vai?

Qua, 17 Jun, 08h32

(Rio de Janeiro, BR Press) - O que corre à boca pequena (bem, nem tão pequena assim) é que o grupo feminino Samba de Rainha é impressionante de se ver ao vivo. A presença categórica e alegre de suas sete integrantes, entre percussionistas, instrumentistas e vocalista, colocam o samba no mais alto pedestal, valorizando o ritmo mais brasileiro com maestria.

As meninas começaram cantando em rodas de samba informais, mas logo viram que o buraco era mais embaixo. Com canções autorais e releituras de grandes compositores, como Ary Barroso e Benito Di Paula, o grupo já lançou dois discos, Isso é Samba de Rainha, de 2004, e Vivendo Samba, lançado no ano passado - que projetou a música da banda para a Europa, na primeira turnê internacional.

O Samba de Rainha - composto por Núbia Maciel (vocal), Aidée Cristina (surdo), Erica Japa (rebolo), Gadi Pavezi (pandeiro), Naná Spogis (violão), Sandra Gamon (tamborim e repinique) e Thais Musachi (cavaco) - já abriu shows de Mart´nália, Leci Brandão e Marcelo D2 e é bem conhecido em bares de Sampa, como Traço de União, Bar Brahma e Vermont Itaim.

Na entrevista abaixo, Aidée Cristina, uma das principais compositoras do grupo, falou sobre o lugar da mulher no samba, shows internacionais, novo CD, entre outros temas.

Confira o bate-papo na íntegra:

Hoje, qual o espaço reservado ao samba na cultura brasileira?

Aidée Cristina - Graças a Deus o samba, há um bom tempo, é linguagem corrente de todo brasileiro. O espaço é grande, diário e autêntico, pois, no auge da maior alegria ou da maior tristeza, todo mundo tem sempre um samba bom para ilustrar o momento.

Qual é a herança feminina das divas do samba em que o Samba de Rainha bebe?

Aidée Cristina - Deusas foram e são as verdadeiras rainhas como Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Leci, Alcione, entre outras. Elas realmente abriram as portas e enfrentaram todas as barreiras para seguirem suas carreiras. Hoje, nós do Samba de Rainha, só podemos subir num palco com naturalidade por causa delas. Se estivermos motivando outras garotas, maravilha! O importante é ter humildade, consciência e espalhar felicidade.

Fale um pouco sobre as apresentações fora do Brasil. O público de Portugal e Londres se aproximam, minimamente que seja, da nossa malemolência?

Aidée Cristina - Encontramos surpresas muito boas em Portugal. Nos apresentamos em palcos bem diferentes, desde galpões abertos para toda a população até o Teatro Circo de Braga, suntuoso, belo e extremamente histórico. Lá, os portugueses cultuam o bom samba e conhecem inúmeras canções do universo do samba brasileiro. Cantam e vibram à sua maneira, com todo o coração. Quando começamos a tocar e o povo levantou os braços junto, aí não teve mais como parar, foi magia pura. Em Londres fizemos um show com casa lotada, o que nos surpreendeu bastante. O público ficou agitado, dançou muito e até cantou conosco. E o ponto alto foi uma brincadeira que fazemos com a música Satisfaction, em ritmo de samba. Foi tudo! Quanto à malemolência, Brasil é Brasil!

Apesar de fazer samba, vocês mostram que quando se fala de música a produção que não inova e não mistura também não se sustenta. Fale sobre essa abertura para outros ritmos, como é o caso da inserção de batidas eletrônicas, como na música Au Revoir Electro Dub Mix.

Aidée Cristina - Dentro da banda temos pessoas com gostos musicais e influências diferentes e é essa mistura que procuramos trazer para o nosso trabalho. É o tempero do nosso samba! No caso do remix de Au Revoir, foi a Sandra Gamon, que também é DJ, que fez junto com AS Spirit, especialmente para abrir o show do lançamento do CD Vivendo Samba. Como as pessoas adoraram, disponibilizamos para download no MySpace.

Qual sambista vocês mais admiram e que mais influenciou toda a produção do Samba de Rainha?

Aidée Cristina - Unanimidade para todas nós é a Clara Nunes. Falando de sambistas, curtimos muito Arlindo Cruz, tem o Adilson Bispo que, juntamente com seus parceiros Lula Matos e Anderson Baiaco, fez pra gente o samba Chega de Fazer Pirraça, que gravamos no nosso mais recente disco. Mas a banda tem gostos ecléticos, então a admiraçãoo vai de Zeca Pagodinho a Marcelo D2, passando pela praia de Carlinhos Brown, Luiz Caldas, Noel Rosa, Dona Ivone e por aí vai.

Se não existisse samba, o mundo seria...

Aidée Cristina - Muito, mas muito triste e ruim da cabeça...

Como está sendo a divulgação do mais recente disco de vocês, Vivendo Samba?

Aidée Cristina - O trabalho foi superbem aceito pelo público que já tinhamos e cativou outros, o que para nós é uma felicidade. O disco recebeu críticas positivas da imprensa, de sites e de blogs, e as vendas estão boas nas lojas do Brasil e do exterior. Nosso maior veículo de divulgação tem sido a internet, além dos shows, pois ali temos o contato próximo com as pessoas, que sambam conosco e retornam sempre.

No MySpace (http://www.myspace.com/sambaderainha ) do Samba de Rainha há cinco músicas disponíveis para audição. No site oficial é possível conhecer um pouco mais sobre a história da banda, por meio de fotos e vídeos.

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