Sex, 18 Jul, 09h36
A Colômbia quer atrair investimentos e ser a porta de entrada de produtos brasileiros em mercados com os quais mantêm acordos de livre comércio. Entre os benefícios oferecidos pelo governo colombiano estão as reduções tributárias das zonas francas e a estabilidade jurídica aos contratos firmados com investidores estrangeiros. Essas condições serão apresentadas amanhã (19), em Bogotá, durante encontro dos presidentes brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e da Colômbia, Álvaro Uribe, com ministros e empresários.
Integram a missão empresarial brasileira, segundo o Itamaraty, representantes dos setores do agronegócio, química e petroquímica, energia, infra-estrutura e construção, máquinas e equipamentos, mineração e siderurgia, produtos de segurança e defesa, tecnologia da informação e serviços. A expectativa é de que mais de 100 empresários do Brasil desembarquem na capital colombiana.
Através das zonas francas uniempresariais, o governo da Colômbia quer incrementar os Investimentos Estrangeiros Diretos, que atingiram US$ 9 bilhões em 2007. Desse montante, o Brasil respondeu por US$ 529 milhões. "No ano passado, a legislação foi alterada para elevar a atratividade do país aos investimentos externos", explica Carlos Rodríguez, cônsul comercial da Colômbia no Brasil.
Rodríguez, também diretor da Proexport Colômbia, entidade ligada ao Ministério do Comércio, destaca as vantagens às empresas que se instalarem nestas zonas, como a redução do Imposto de Renda de 33% para 15% e isenções nos impostos de importação, para matérias-primas e bens de capital, e de exportação. "O Brasil pode utilizar a Colômbia como plataforma para vários mercados."
De acordo com ele, até 2010, a Colômbia pretende encerrar as negociações de acordos comerciais com os Estados Unidos, Canadá, México, Chile, Mercosul, União Européia, Noruega, Suíça, Islândia, Liechtenstein, Cuba, Peru, Guatemala, Honduras e El Salvador. O congresso colombiano já aprovou o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA, falta apenas os parlamentares norte-americanos referendarem o acordo, o que está previsto para até o final do ano.
"Muitos produtos poderão ser exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, via Colômbia", destaca. Ele cita como exemplo o etanol, que poderia ser embarcado via Colômbia sem pagar imposto de importação para entrar no mercado norte-americano, além de outros produtos, como os agrícolas e os siderúrgicos.
Outra vantagem oferecida pelo governo colombiano é a estabilidade jurídica, que garante aos investidores as condições determinadas no fechamento do contrato por 20 anos, que pode ser renovado por igual período. Segundo Rodríguez, uma das condições é que o aporte ultrapasse US$ 1,7 bilhão e seja feito pagamento adicional de 1% do investimento para o governo.
A corrente comercial entre os dois países, que totalizou US$ 2,765 bilhões no ano passado, foi superavitária em US$ 1,911 bilhões para o lado brasileiro. Desde 2003, as trocas comerciais cresceram 225%. As exportações do Brasil à Colômbia no período saltaram 211% e atingiram US$ 2,338 bilhões em 2007, enquanto o incremento nas importações foi de 334%, para US$ 426,7 milhões.
Mais de 90% das exportações brasileiras ao país vizinho no ano passado foram de produtos industrializados. Entre os embarques estão caldeiras, máquinas industriais, aparelhos elétricos, aeronaves e celulares; e as compras são de combustíveis e óleos minerais.
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