Sex, 18 Set, 07h18
Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil
Na última quarta-feira (16), fui a Porto Alegre - a convite do programa Altas Horas, comandado pelo célebre corintiano Serginho Groissman - para assistir ao show de uma lenda da música, umas das sementes que originaram o rock and roll: Jerry Lee Lewis. Melhor do que isso, eu fui lá para entrevistá-lo. Que honra! Eu estava ansioso para conhecer um músico com tamanha história.
Com seus 74 anos de idade, ele ainda tem uma pegada firme no aperto de mão, bom humor e não deixou de ser extremamente simpático com as mulheres com que cruzava no aeroporto e no hotel. No palco, sentado em seu piano, martelando as teclas e levando o público ao delírio, parecia com um menino, fazendo o tempo parar. Com sua mão direita, solando nas teclas mais agudas do piano, acompanhado por uma banda fenomenal e muito experiente, tocando o mais simples e virtuoso rock'n'roll, ele levantou a galera, na sua maioria jovens que dançavam felizes a seleção de clássicos apresentados, escritos por este mestre. Que experiência única!
Fiquei impressionado com a energia que emanava do palco e fiquei muito feliz de ver aqueles "velhinhos" ainda com um espírito jovem, quase atemporal. Comecei a lembrar de outros casos de longevidade na música e o quão é especial e motivante ser músico. É uma profissão que pode ser exercida até o final da vida, com qualidade, tesão e energia. Ser um artista, seja músico, pintor ou poeta, é realmente um privilégio.
Outros grandes nomes do rock, como Little Richard (76) e Chuck Berry (82), ainda destroem os seus instrumentos em suas lendárias composições, mostrando um vigor incrível. Os Rolling Stones, Paul Mcartney, The Doors, Bob Dylan, Eric Clapton, entre outros dinossauros do estilo, no auge de seus 60 e poucos anos, estão seguindo o mesmo longo caminho na música, tocando como nunca, com o mesmo espírito rebelde, mais experientes e cativantes! O rock realmente salva!
No blues, existem muitos casos de longas carreiras, que geralmente começam na infância ou adolescência e se estendem até o final de suas vidas, já velhos, mas com muito a oferecer. O guitarrista B.B King (76) ainda lota as casas de shows em que se apresenta pelo mundo, inspirando novas gerações a seguir o caminho do blues, tocando com maestria a sua guitarra carinhosamente chamada de Lucille. O músico Bo Didley (80), que faleceu no ano passado, John Lee Hooker (84), quw faleceu em 2001, também tiveram uma carreira bastante ativa durante toda a sua vida. Também Buddy Guy (73), que tive o privilégio de conhecer no ano passado, quando tocou em São Paulo em um show memorável, são outros lindos exemplos de vida longa dentro da música.
Aqui no Brasil, o grande exemplo é o cantor Roberto Carlos, que neste ano comemora 50 anos de carreira. Apesar de não fazer mais rock, ele veio deste berço, influenciado principalmente pelos Beatles. Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Toquinho, Chico Buarque, Os Mutantes, Hermeto Pascoal e Sivuca são outros músicos que me vem à cabeça neste momento. Fantástico!
No samba, também há bons exemplos. Esse estilo tão brasileiro respeita e cultua os mais velhos, que são os pilares de qualquer escola de samba que se preze, como Cartola da Mangueira e a Velha Guarda da Portela, que tive o prazer de assistir aqui em São Paulo com a participação da Marisa Monte. Aquilo foi mágico. Apesar de não ser tão conhecedor do samba, fiquei emocionado ao ver aquilo. Uma lição de vida, de positividade, uma grande inspiração. Na música sertaneja, lembro-me de Inezita Barroso, Tonico e Tinoco, Zé do Rancho e o grande mestre Sérgio Reis.
São muitos os exemplos dentro da música, outros tantos em outros tipos de expressão artística. O corpo vai perdendo a força, a agilidade, a rapidez mas a cabeça e a alma não param de crescer, ficam mais fortes e continuam jovens mantendo a sanidade, a lucidez e dando um grande exemplo às gerações mais novas que têm a tendência da preguiça e de reclamar de tudo.
Enquanto estiver vivo, estarei no palco, desafiando as leis do tempo, tocando com o coração e elevando a alma ao seu devido lugar!
Até a próxima! Abraço.
Andreas Kisser
Média (Not Rated)
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