Seg, 19 Mai, 08h36
(atualiza com resultado da votação que estava pendente) Londres, 19 mai (EFE).- A Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou hoje a realização de pesquisas científicas com embriões híbridos, criados a partir de uma combinação de DNA humano e animal.
Após mais de três horas de debate, os deputados rejeitaram, por 336 votos contra e 176 a favor, uma emenda do Partido Conservador que propunha a proibição total do uso deste tipo de embrião em pesquisas médicas.
A liberação do uso de embriões híbridos para fins terapêuticos se insere no projeto de lei de Embriologia e Fertilidade Humana, que atualmente tramita no Parlamento.
O texto, um dos carros-chefe do Governo trabalhista do primeiro-ministro Gordon Brown, tem como objetivo atualizar a atual legislação, de 1990, com os últimos avanços científicos.
Também hoje, os deputados votaram a parte do projeto de lei que se refere à seleção de embriões com características genéticas específicas para a criação dos chamados irmãos "salvadores", de cujos tecidos seriam obtidas células-tronco para o tratamento de doenças.
Com 342 votos contra e 163 a favor, os parlamentares rejeitaram uma emenda que pretendia proibir essa seleção.
Além disso, amanhã, a Câmara dos Comuns votará outros dois aspectos da lei: o fim da exigência de um pai para a realização de tratamentos de fecundação assistida, para que casais de lésbicas possam ter acesso a esse procedimento, e uma emenda para reduzir de 24 para 20 semanas o prazo limite para a prática de abortos no Reino Unido.
A proposta para o uso de embriões híbridos em pesquisas causou polêmica no Reino Unido, a ponto de Brown ter tido que liberar o voto de seus correligionários para evitar uma rebelião dentro do seu próprio partido.
Para vencer a resistência dos críticos, principalmente da Igreja Católica, o premiê pediu ontem aos deputados que apoiassem o projeto de lei por considerar que o texto supõe "um esforço intrinsecamente moral" que poderia salvar e melhorar a vida de milhares de pessoas.
A Igreja Católica do Reino Unido acusa a nova legislação de ser imoral, violar os direitos humanos e permitir aberrações.
Brown, cujo filho mais novo, Fraser, sofre de fibrose cística, uma doença genética, também alegou que o cultivo de células-tronco a partir de embriões híbridos é crucial para o desenvolvimento de tratamentos para enfermidades como o mal de Parkinson ou o Alzheimer.
Os cientistas também dizem que a criação de embriões híbridos com núcleos celulares humanos em óvulos animais esvaziados (que seriam utilizados para cultivar células-tronco e seriam destruídos após 14 dias, antes de virarem fetos) compensaria a atual escassez de doações de óvulos humanos. EFE jm/sc POL:POLITICA,GOVERNO| |Q:CYT:pt-BR:13019000:Ciência e tecnologia:Biotecnologia SYS:pt-BR:07013000:Saúde:Políticas de saúde POL:pt-BR:11006000:Política:Governo|
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