Sex, 20 Nov, 12h12
Jerusalém, 20 nov (EFE).- O movimento nacionalista palestino Fatah tomou a decisão estratégica de lançar uma terceira intifada contra Israel, desta vez pacífica, em resposta ao fracasso do processo de negociações de paz, diz a edição de hoje do jornal em língua árabe "Hadith Anas".
Segundo fontes do Conselho Central do Fatah citadas pelo veículo, sediado na cidade de Nazaré, no norte de Israel, a decisão foi tomada durante a sexta convenção do movimento, ocorrida em Belém em agosto, e o objetivo é colocá-la em prática para sair do beco sem saída das negociações.
Um dos dirigentes do Conselho Central entrevistados explicou à publicação que a terceira intifada terá uma ampla base popular e será dirigida contra os símbolos da ocupação na Cisjordânia, como os assentamentos judaicos.
"A intenção é fazer com que milhares de palestinos se manifestem diariamente ao lado dos assentamentos. Cercaremos os assentamentos com uma corrente humana e pediremos o final da ocupação", diz um dirigente palestino do Conselho Central não identificado.
A opção de uma nova revolta popular foi ventilada em círculos políticos palestinos desde que as negociações com Israel entraram em uma grave crise no final de 2008.
Segundo o jornal, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, aprovou a ideia "em princípio", com a condição de que não seja uma intifada armada como a que abalou a região entre 2000 e 2005, período em que quase 4 mil palestinos e mil israelenses morreram.
Desta vez, o objetivo seria resgatar o princípio de revolta popular da primeira intifada (1987-1993), da qual a imagem internacional de Israel saiu altamente prejudicada pela repressão militar contra civis palestinos, entre eles muitas crianças e adolescentes, que lançavam pedras aos soldados.
Segundo o "Hadith Anas", a anunciada decisão de Abbas de não concorrer à reeleição e suas ameaças de renunciar e desmantelar a ANP podem dar as condições para a revolta.
Em declarações hoje ao serviço em árabe da "BBC", o presidente da ANP segue a linha do conteúdo do artigo publicado no "Hadith Anas".
"Quem tem que apresentar resistência é o povo, e há vários tipos de resistência, como em Bilin e Nahalin", disse Abbas ao se referir aos protestos populares semanais contra a construção do muro da Cisjordânia.
Nos últimos dias, fontes do Fatah se manifestaram a favor de multiplicar os protestos nos dois lugares e inclusive de levá-los para outros pontos da Cisjordânia com a intenção de forçar Israel a interromper a construção de assentamentos, exigência da ANP para voltar à mesa de negociações. EFE
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