Qua, 21 Mai, 07h08
Recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, empresários de algumas das maiores fabricantes de semicondutores (chips) do mundo pediram uma política estável de Ciência e Tecnologia que torne o Brasil atraente aos investimentos externos. Também ressaltaram a importância da combinação de mão-de-obra qualificada, logística e incentivos fiscais como fundamental para a decisão de investimento em determinado país.
Os empresários ouviram do presidente que a política de ciência e tecnologia "é de Estado e não de governo" e também que a estabilidade econômica, com o controle da inflação e a geração de superávit primário, além do aumento do mercado de massa no País, não são conquistas "deste governo, mas da sociedade".
Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, Lula disse aos estrangeiros que "eles farão um investimento seguro" se optarem por instalar suas fábricas no País. De acordo com Rezende, o presidente enfatizou o esforço do governo em educação e no avanço da formação de pessoal. Também citou investimentos em estradas, portos e aeroportos.
"É o começo de uma conversa. Os empresários disseram que saíam satisfeitos porque viram de perto o que têm ouvido falar no exterior. Muitos deles vieram pela primeira vez ao Brasil. Sabemos que instalar uma fábrica de US$ 1 bilhão, ou bilhões de dólares, é uma decisão que dura anos", afirmou Rezende. O ministro lembrou que o Plano de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) prevê isenção fiscal para os investidores que optarem por construir fábricas no Brasil.
Rezende evitou entrar na polêmica gerada pela declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, de que "era mais blábláblá" o memorando assinado entre os governos brasileiro e japonês no qual o Japão se compromete a discutir uma fábrica de semicondutores do Brasil. A construção de uma fábrica de semicondutores, com investimento de empresas japonesas, foi uma exigência do Brasil para escolher o padrão japonês para a TV Digital. O modelo japonês foi escolhido e a idéia da fábrica não avançou. Em resposta a Miguel Jorge, o ministério das Comunicações disse em nota que recebeu informações oficiais da Toshiba sobre a intenção de construir uma fábrica de semicondutores no País.
"Não estou sabendo de divergências, temos uma política bastante afinada", afirmou Sérgio Rezende. O ministro revelou que três dirigentes da Toshiba estarão nos próximos dias em Porto Alegre para discutir a possibilidade de investimentos no Brasil. "O que nós sabemos é que há um protocolo em que o governo japonês se compromete a fazer todos os esforços para que empresas japonesas invistam no Brasil", afirmou o ministro de Ciência e Tecnologia
Entre os participantes da reunião com Lula estavam o presidente da Cadence Design System, Mike Fister; o vice-presidente da IBM Anthony Yu; os gerentes da Toshiba Hiroshi Yasuda e Takeaki Fukuiama; o presidente da Fujitsu, Kazuyuki Kawauchi; o vice-presidente da Samsung no Brasil, Benjamin Sicsu, e o presidente do Instituto Nokia de Tecnologia, Geraldo Feitoza.
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