EFE

Goldstone rejeita críticas a relatório sobre ofensiva em Gaza

Qui, 22 Out, 11h25

Cairo, 22 out (EFE).- O juiz sul-africano Richard Goldstone saiu hoje à margem das críticas recebidas a seu relatório sobre os crimes de guerra cometidos durante a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza e disse que "não chegam à substância" dos fatos denunciados.

"Muitos dos que o criticam, a imensa maioria, não leram o relatório", disse Goldstone em entrevista divulgada pela rede catariana de televisão "Al Jazira".

O relatório de Goldstone, que foi aprovado em 16 de outubro pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ONU, com sede em Genebra, condena Israel e o movimento palestino Hamas pelos crimes cometidos em Gaza durante o conflito em dezembro do ano passado e janeiro.

A maioria das acusações, no entanto, é dirigida contra Israel.

A resolução também condena Israel por não colaborar com essa investigação e estabelece que, se Israel e Hamas não abrirem investigações críveis sobre esses crimes daqui a seis meses, o assunto deve ser levado ao Conselho de Segurança da ONU, que deverá decidir se o transfere ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Entre as críticas recebidas, estão as da Administração americana de Barack Obama, que votou contra o relatório e garantiu que estava desequilibrado e tinha erros.

"Não ouvi da Administração de Obama quais são os erros no relatório que dizem ter identificado. Estaria disposto a respondê-los se soubesse quais são", afirmou Goldstone.

Goldstone qualificou de "ambivalente" a postura de Washington porque, enquanto pede uma profunda investigação sobre os fatos denunciados, diz que contém erros.

"O nível de críticas não chega à substância do relatório", disse Goldstone, que também atribuiu a "ataques pessoais" algumas das opiniões negativas sobre as denúncias contidas no documento.

"Não houve respostas às sérias acusações que foram feitas, (porque) as pessoas, no geral, não gostam de ser acusadas de atividades criminosas", acrescentou.

O relatório de Goldstone foi aprovado por 25 integrantes da CDH da ONU, com a rejeição de seis representantes, 11 abstenções e cinco que não votaram. EFE

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