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Novidades da música instrumental no Brasil

Sex, 23 Out, 03h19

Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil


A música instrumental no Brasil é forte, diversa e muito rica. O país é gigante e de Norte a Sul a gente escuta tudo quanto é tipo de ritmos e melodias. Apesar do gênero sofrer certos tipos de preconceito, seja no erudito, jazz ou choro, ainda segue forte por meio de músicos excepcionais, virtuoses que exploram seus instrumentos aos limites.

Recentemente, encontrei música nova para os meus ouvidos, da mais alta qualidade e intensidade. Mês passado, na festa de um amigo, conheci o pianista Bruno Monteiro, que brincava com um piano japonês fantástico no meio da imensa sala. Brincava é maneira de dizer, porque ele estava debulhando o instrumento. Conversando, fiquei sabendo que ele faz parte de um grupo muito interessante, o Seis com Casca (veja o site). Sensacional! O conceito é muito original e suas versões para vários clássicos de diferentes estilos são de muito bom gosto. Além dele, a formação conta com Diogo Maia no clarinete, Mauricio Biazi no baixo, Nelson Carneiro na percussão e vibrafone, Nikolai Iliev no violino e Potiguara Menezes na guitarra.

O grupo é muito original e bem completo no que diz respeito aos timbres e suas possibilidades. Versões de Pixinguinha, Aztor Piazzola, Jacob do Bandolin e temas famosos de clássicos do cinema soam novos, com muito vigor. Os jovens integrantes são todos formados em música erudita nas melhores faculdades do Brasil, com influências de jazz, samba, rock, blues, choro, bossa nova e até metal. Isso mesmo, eles estão preparando uma versão de uma música do Sepultura ainda não definida, mas estou muito curioso para ver o que vai sair. Veja um curto documentário sobre o grupo e a versão de 1x0 do Pixinguinha

No rock mais técnico, gosto de dois projetos muito interessantes, um do guitarrista Kiko Loureiro e outro do também guitarrista Mello Jr. O Kiko é um dos músicos brasileiros mais respeitados no mundo, sempre à procura de algo novo para explorar com seu instrumento. Um dos projetos que achei mais desafiador foi o Neural Code (página no MySpace), no qual ele é acompanhado por Thiago Espirito Santo no baixo e Cuca Teixeira na bateria. É um som que tem uma pegada bem pesada de power trio, com influências de jazz e música brasileira. Muito bom.

Já Mello Jr. é um guitarrista bem brasileiro que faz uma mistura de rock com bossa nova e fusion. Muito técnico, expert em pedais e amplificadores, ele também trabalha como consultor e professor dos amplificadores Meteoro, dando clínicas especializadas para várias lojas de música pelo Brasil. Também já acompanhou grandes nomes da música brasileira. Eu tive o prazer de fazer alguns workshops com ele e foi aí que conheci seu trabalho, em especial o projeto Time Out (veja o site). Apesar de algumas músicas terem vocais, o trabalho instrumental é o que mais chama a atenção. Conta com Felipe Andreoli (que também é baixista do Angra) no baixo e Mauricio Leite na bateria. O som traz influências de heavy metal, mas é bem diverso e intenso. Além disso, é muito bem gravado e produzido, uma verdadeira aula de timbres.

Por fim, quero mencionar um monstro do violão brasileiro chamado Alessandro Penezzi (veja o site). Em um país onde surgiram violonistas como Rafael Rabelo, Yamandu Costa, Baden Powell, Egberto Gismonti, Fabio Zanon e Ulisses Rocha, o Alessandro pode ser incluído no hall dos maiores mestres desse instrumento. É um exímio músico, com uma habilidade impressionante tanto para as passagens mais rápidas e agressivas quanto para as mais suaves e sutis. É mágico vê-lo tocar. Ele vem de Piracicaba, interior de São Paulo, toca desde os sete anos e no meu ponto de vista revoluciona a maneira de interpretar o chorinho, a MPB, a música erudita e seja lá o que tocar. Já ganhou vários prêmios como solista e tocou em vários países levando a música do violão brasileiro ao mundo.

Tem muita coisa boa rolando nos palcos e estúdios deste país, sons com energia única que só podem ser produzidos por gente do Brasil. Abram os ouvidos e não se deixem levar por preconceitos e ideias antiquadas a respeito da música instrumental. Ela fala muito mais alto do que qualquer poesia já feita, pois a tradução não é necessária. Vai direto ao coração.

Até a próxima, abraços and play it loud!!!
Andreas Kisser

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