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João do Morro faz pop gay

Qua, 25 Fev, 01h56

Valmir Costa, do MundoMais/Especial para BR Press

(Recife, BR Press) - "Eu não tenho preconceito. Se você olhar direito, hoje em dia o mundo é gay". Este é um trecho da música Frentinha, do pernambucano João Pereira da Silva, 30 anos, ou João do Morro como é conhecido. Esta não é sua primeira música com temática homossexual do cantor do Recife - onde foi o sucessão do Carnaval -, e o fato de falar para um público específico não impediu que fosse aclamado pelo mainstream do pop rock local.

Sui generis em seu estilo - samba com pagode -, João do Morro fez show neste Carnaval no Rec Beat, com a galera do rock na segunda-feira carnavalesca (23/02). Com os roqueiros e os foliões do pop, o sucesso de João do Morro não foi diferente do que acontece com a massa do subúrbio recifense e até mesmo nas boates GLS da cidade, como a Metrópole.

Preconceito

Ele foi a revelação da noite carnavalesca e aclamado para o bis. Emocionado, chorando, ele diz que esta recepção foi mais uma barreira que quebrou: a do preconceito com seu estilo de música. Mas essa aceitação não veio assim de mão beijada.

O grupo militante da cidade Leões do Norte entrou com pedido de retratação contra o cantor, quando sua música Ei Boyzinho Papa Frango caiu na boca do povo, acusando-o de preconceito. "Frango" é um termo sexual pejorativo para gay no linguajar regional pernambucano. Seria o equivalente a "Ei Boyzinho Papa Viado". "Boyzinho" significa rapaz rico.

No entanto, apesar do uso da palavra "frango", a crítica recaía mais ao esnobismo do "boyzinho", que abusava dos gays para ter vantagens de bens materiais. "Esse boné ai? Foi o Frango que deu. Esse celular? Foi o Frango que deu". Apesar disso, a música coloca o boyzinho na posição passiva da situação. "Lá no restaurante você estava comendo pra depois ser comido", diz a letra.

Depois de apaziguar os ânimos dos militantes, da mídia e dos conservadores, que viraram a cara para sua música, o cantor adotou a temática gay na sua discografia.

Irreverência

Filho de percussionista, João do Morro tocou na escola de samba Galeria do Ritmo, do Morro da Conceição. Sua irreverência é meio genética. Suas músicas versam sobre alisamento capilar, mulheres e essas coisas comuns do dia-a-dia suburbano.

Como na música Balaiagem, onde satiriza a chapinha dos cabelos femininos. "No fim de semana, é meio banho de noiva. Tem mulher que vai no salão pra dar massagem e escova. E passa o dia inteiro no estica e puxa. Se bater um pingo da chuva, o cabelo fica feito bucha".

A música prossegue com os produtos normalmente usados pelas mulheres no subúrbio, e continua: "Umas passam Easy, outras Biorene, Henê, Hairfly, Guarnidina e Kolene. Olhe que seu cabelo vai cair todinho. Você vai ficar careca feito Zidane e Ronaldinho".

Nessa linguagem popular, ele deu nome ao grupo com quem toca. Daí, nasceu o João do Morro e os Cara, sem concordância verbal mesmo. A única concordância é que trata-se de um som de ginga dançante, divertida, para animar qualquer festa de qualquer classe ou orientação sexual.

Clique aqui para ouvir a músicano MySpace de João do Morro.

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