Seg, 26 Out, 02h36
Por Regis Tadeu, colunista do Yahoo! Brasil
Bem, como já havia dito antes, de tempos em tempos vou publicar uma lista de alguns discos bacanas - muitos deles "figurinhas" fáceis de encontrar em sebos, na seção de "usados" - e que pouquíssima gente conhece, seja pela falta de interesse em ouvir coisas novas, por puro preconceito com relação às capas ou total desconhecimento a respeito da obra total do artista. O critério de seleção dos discos são as letras do alfabeto e, desta vez, a escolhida é o X. Vamos lá!

X - More Fun in The New World
Se Nova Iorque e São Francisco deram ao mundo, respectivamente, os Ramones e o Dead Kennedys, Los Angeles não ficou atrás em termos de qualidade e propiciou o surgimento deste ótimo grupo, liderado pelo casal Exene Cervenka (vocais) e John Doe (baixo e vocais). Mas eram as guitarras do extraordinário (e sempre sorridente!) Billy Zoom que faziam com que todas as canções da banda merecessem atenção redobrada. Sem medo de misturar sua agressividade com outros gêneros musicais - principalmente o country -, o X gravou álbuns sensacionais. Este disco é um deles e um dos mais injustiçados.
Assim como os anteriores, ele foi produzido pelo eterno tecladista do The Doors, Ray Manzarek, e mesclava hinos potentes ("Make the Music Go Bang", "The New World") com algumas baladas tocantes, como "I Must Not Think Bad Thoughts", com letras nada românticas, e sim endereçadas contra o clima de terror instalado pelo governo Ronald Reagan. Veja a banda tocando uma das melhores faixas deste CD, a sensacional "Devil Doll", em um show recente, clique aqui.

XTC - The Big Express
Uma das mais brilhantes bandas inglesas surgidas a partir do pós-punk no início dos anos 80, XTC sempre primou por um trabalho minucioso em suas sonoridades criadas em estúdio, mas sem resvalar no experimentalismo radical. Ao contrário, os caras criavam pérolas do pop com um brilhantismo que chegou a arrancar elogios de ninguém menos que Paul McCartney (que, por sinal, era fã da banda).
Neste The Big Express, o que mais salta aos ouvidos é um repertório quase perfeito, com canções impecáveis, daquelas impossíveis de se deixar de cantarolar depois da audição. Ouça a banda tocando "All You Pretty Girls" (clique aqui) e tente não sair por aí assobiando o refrão.

X - Um Homem Só
Pouco se sabe a respeito deste rapper de Brasília, que ganhou fama enquanto integrou o finado (e bom) grupo Câmbio Negro. Quando a banda acabou, ele enveredou por uma carreira solo que, sabe-se lá o motivo, não se concretizou - ele lançou apenas este disco, em que o discurso duro, cru e direto das letras encontrava simbiose perfeita com um som pesado e "malemolente".
Não encontrei vídeos de canções deste CD, mas dá para você sacar qual era a do cara na interessante mistura de samba de raiz e rap de "Operário Padrão" (clique aqui ), no testemunho cruel de "Encarcerado" (clique aqui ) e no peso de "Círculo Vicioso", que X gravou com a sua ex-banda (clique aqui).

XAVION - Burnin' Hot
Tente imaginar o Duran Duran dos anos 80, só que transformado em uma banda poser de pretos que tentavam misturar Prince, Jimi Hendrix e Cameo em um mesmo caldeirão. Não conseguiu? Eu entendo. Talvez tenha sido isso que tenha atrapalhado a carreira deste grupo de Memphis, que conseguiu lançar apenas este álbum e que não conseguiu ir além de um clipe na MTV - "Eat Your Heart Out" (clique aqui). De certa forma, os caras foram predecessores de grupos que surgiram com a mesma fórmula sonora tempos depois, como foi o caso do Living Colour.

XUTOS & PONTAPÉS - 88
Pouca gente sabe que o fim da ditadura em Portugal - a conhecida "Revolução dos Cravos", em 1974 - provocou uma explosão de bandas de rock por todo aquele país. Uma das mais queridas - e que está em atividade até hoje - é este quinteto, dono de uma discografia razoavelmente extensa, mas que teve lançado no Brasil um único LP, o bom 88 (1988). O som era um pop/rock com pequenas pitadas de punk, como se fosse um irmão lusitano da Plebe Rude.
Veja os 'portugas' tocando a ótima "À minha maneira" (clique aqui).

X-RAY SPEX - Germfree Adolescents
Dentro da história do punk rock, esta banda nunca recebeu os devidos créditos da mídia por causa da feiúra de sua vocalista - fosse a estupenda e esquisita Poly Styrene uma "gatinha", a história teria sido outra.
Independente dessa vergonhosa realidade, ela e seu grupo foram importantíssimos para o estilo por unir um discurso radicalmente contra o capitalismo/consumismo a um punhado de ótimas canções, tocadas e gritadas com um vigor que certamente influenciou o surgimento da geração "riot grrrl", que deu ao mundo bandas como o L7. Clique aqui e ouça a banda tocando "World Turned Dayglo".

XANGAI & QUINTETO DA PARAÍBA - Brasilerança
Um dos discos mais subestimados da música brasileira, o trabalho que trouxe a união deste carismático cantor e violonista com o tradicionalista grupo do Nordeste resultou em uma sonoridade surpreendente. Utilizando violinos, violoncelo, violões, rabecas, violas, triângulos e o diabo a quatro, eles reúnem canções dotadas de uma poética desconcertante, que devem ser ouvidas sem qualquer tipo de preconceito.
Ouça Xangai mandando bem nesta versão de um clássico de Elomar, "Curvas do Rio" (clique aqui).

XIS - Seja Como For
Oriundo de um dos bairros maios violentos de São Paulo, este rapper foi, ao lado do grupo DMZ, um dos pioneiros da disseminação da linguagem e da mensagem do hip hop nacional, retratando de modo cru e poético a realidade de uma cidade que nem mesmo seus habitantes conheciam.
Quando saiu do grupo, se lançou em carreia solo e, logo de cara, emplacou este disco Seja Como For, com canções muito interessantes, bem arranjadas e produzidas. O hit deste CD foi a antológica "Us Mano As Mina", que venceu a barreira das rádios (clique aqui).

XRS LAND - Sarau
Este projeto é o alter ego do produtor e DJ Xerxes de Oliveira, que mistura de maneira brilhante o frenesi rítmico do drum n' bass com melodias e harmonias típicas da MPB, resultando em um amálgama multifacetado de extrema qualidade. Ouça a bela "Secrets of the Floating Island" (clique aqui).

XMAL DEUTSCHLAND - Viva
Esta banda alemã acabou em 1990, mas deixou como legado quatro discos muito interessantes, dos quais este Viva é o melhor. Com uma sonoridade que lembrava um Siouxsie & The Banshees mais dançante (a bela vocalista Anja Huwe era até mesmo comparada a Siouxsie), a banda jamais chegou ao primeiro escalão do pós-punk europeu, embora seja até hoje cultuada por góticos e outras tribos esquisitonas.
Um ótimo exemplo musical deste disco pode ser conferido no clipe da sensacional "Matador" (clique aqui).
Média (Not Rated)
Copyright © 2009 Yahoo!