Sex, 28 Mar, 10h08
Fernando Mexía Los Angeles (EUA), 28 mar (EFE) - Os vôos de baixo custo chegarão ao turismo espacial em 2010 pelas mãos da companhia californiana XCOR Aerospace, que lançará uma nave supersônica que colocará seus passageiros em órbita pela metade do preço.
A aeronave, conhecida como "Lynx", tem o tamanho de um pequeno avião, mas será propulsionada por um único foguete que utilizará um combustível ecologicamente correto, à base de oxigênio líquido e querosene, que, em sua combustão, gerará água.
"A nave poderá pousar e decolar de qualquer aeroporto do mundo e fará até quatro vôos diários de 30 minutos à velocidade supersônica, nos quais poderá transportar uma pessoa, além do piloto", assegurou à Agência Efe Joel Brinton, engenheiro de testes da XCOR Aerospace.
O pequeno veículo espacial, quase do tamanho de um jato privado, superará em três vezes e meia a velocidade do som e tocará os 4.200 km/h.
A principal diferença da "Lynx" com outros aviões para vôos suborbitais será o preço, que cercará os US$ 100 mil, um valor considerável para férias, mas 50% mais barato que as viagens turísticas ao espaço realizadas hoje em dia.
No ano passado, a empresa européia aeroespacial EADS anunciou que começaria a oferecer vôos ao espaço em uma nave por 200 mil euros (US$ 314 mil) em 2012, enquanto a Virgin Galactic chegou a um acordo com a Nasa para colaborar no lançamento de viagens à órbita terrestre.
A empresa, do milionário britânico Richard Branson, espera realizar cem vôos de teste este ano, e 200 pessoas já pagaram US$ 200 mil dólares, cada, por sua passagem, mas a Virgin Galactic acredita que poderá reduzir este preço para US$ 55 mil em nove anos.
"Nossa missão é reduzir radicalmente o custo de um vôo espacial, para torná-lo mais acessível para um maior número de pessoas", disse o presidente da XCOR, Jeff Greason.
A experiência na "Lynx", da mesma forma que em outros modelos de viagens turísticas ao espaço, incluirá falta de gravidade, e as vistas que os astronautas podem desfrutar em seus missões, como contemplar o planeta Terra do exterior.
"Será algo muito forte, sensações maiores que um parque de diversões, pelo que haverá requisitos mínimos de saúde. Estamos preparando um teste físico, embora a maioria das pessoas poderá passar" por ele, indicou o engenheiro de testes da XCOR Aerospace.
A empresa, localizada em Mojave, na Califórnia, ficará encarregada de realizar os vôos, para o que conta com os serviços de um ex-astronauta e ex-piloto das forças armadas americanas que tem experiência em comandar veículos supersônicos, mas as passagens serão vendidas por agências especializadas.
"A 'Lynx' será o melhor passeio fora da Terra", afirmou o piloto da nave Rick Searfoss, para quem "o mais interessante é que o passageiro irá sentado na cabine, como um co-piloto, e não como no resto deste tipo de vôos, nos quais se vai na zona de carga".
A passagem estará disponível a qualquer pessoa, de turistas até pesquisadores e professores.
"Futuras versões da 'Lynx' oferecerão melhores condições para os estudos de engenharia, científicos e comerciais", ressaltou Greason.
A "Lynx" é a primeira aeronave espacial produzida pela XCOR, que começará a competir com empresas mais consolidadas neste mercado emergente, que teve início com a SpaceShip One, que realizou seu primeiro vôo em 2004 e precisou da ajuda de um avião para vencer a gravidade.
"Empregamos 6 anos em seu desenho", comentou Brinton, orgulhoso do salto dado pela XCOR, da fabricação de foguetes de alta tecnologia para aviões até o desenvolvimento de um negócio próprio de transporte espacial. EFE fmx/db
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