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Pearl Jam mostra como é bom estarmos vivos

Seg, 28 Set, 01h57

Por Regis Tadeu, colunista do Yahoo! Brasil


Quem acompanha estas mal traçadas linhas já sabe quem é Monaliza Souza, que fez uma ótima participação especial em um texto que escrevi sobre o papel redentor das mulheres na vida de certos homens - se você não lembra ou não leu, veja aqui.

Pois bem, minha querida amiga enviou um texto bem legal a respeito da experiência que ela teve ao assistir a uma apresentação do Pearl Jam dias atrás na cidade natal dos caras, Seattle (EUA). Por isso, vou dividir com vocês o relato preciso e poético que a Monaliza fez desse show, que teve ainda como brinde o sempre ótimo Ben Harper fazendo o show de abertura.

Peguem uma xícara de café ou chá e relaxem um pouco...

Conta aí, Mona!

"'I'm still alive'. É com esta frase ecoando na cabeça que centenas de pessoas deixaram o Key Arena, em Seattle, após uma performance enlouquecedora do Pearl Jam. A banda está mais viva do que nunca e encerrar o show com "Alive" é mais significativo do que parece.

A apresentação de 21 de setembro foi o início oficial da turnê de Backspacer, o novo álbum da banda, lançado no dia anterior. Embora já viesse se apresentando para o público desde agosto, o grupo escolheu Seattle para tal empreitada. E deu para entender o motivo: em meio a vizinhos, amigos de infância, colegas de outras bandas, família e fãs, a banda parecia relaxada e confortável, com Eddie Vedder fazendo brincadeiras do tipo "Estamos um pouco nervosos em tocar aqui hoje".

O Pearl Jam entrou no palco tocando "Long Road" e seguiu misturando canções de todos os álbuns com músicas novas. O único disco que não teve qualquer canção incluída no show foi o Binaural. Ao todo, foram 27 músicas, tocadas de forma visceral e performática, sendo oito do mais recente trabalho. Foi até difícil dizer quais eram as músicas novas e quais eram as antigas, visto que o público cantava em uníssono todas as canções.

As quase três horas de show tiveram ainda duas boas participações especiais: o Octava String Quartet tocou com a banda "Just Breath" e "The End" no primeiro bis, o que deu um toque muito emocionante. Já o Syncopated Taint Horn Quartet tocou de maneira muito vibrante o único cover da noite, "Real Me", do The Who (veja aqui).

Bebendo vinho como se fosse água, Vedder foi crescendo e enlouquecendo ao longo do show, com uma performance de palco arrasadora. E ele não foi o único. O guitarrista Mike McCready também esteve com a sua veia punk ativada e correu por todo o palco, pulando como se estivesse em uma cama elástica, mexendo com a platéia e fazendo contato com o público que estava em todos os locais do estádio, mesmo nas cadeiras mais altas e distantes. Ele se mostrou livre para solar o quanto quisesse, pois em sua retaguarda estava Stone Gossard - Vedder fez questão de dizer, em determinado momento do show, que o outro guitarrista era realmente um porto seguro para a banda.

E ninguém discorda disso. Quando ele pega o violão e faz a base para músicas como "Daughter" e "Indifference", sua grandiosidade fica ainda mais evidente. Jeff Ament e Matt Cameron formam uma cozinha irretocável, sendo que o primeiro se alternou entre o baixo elétrico e um lindo contrabaixo acústico, que deu um toque sofisticado a canções como 'Just Breath'. Hoje, o Pearl Jam é uma mistura explosiva de técnica e coração.

Mas tendo sido esse o show de abertura da turnê, houve momentos de altos e baixos. A performance em "Even Flow" foi confusa e truncada, muito diferente daquela tocada em São Paulo em 2005, com toda a sua esperada fúria. A mistura não muito precisa de clássicos, músicas novas e "lados B" também colaborou para uma sensação de montanha-russa. Nada disso, porém, tirou o brilho do espetáculo - veja a banda tocando "Amongst the Waves" aqui.

O público respondeu entregando-se de maneira total a todas as canções e aos comentários feitos por Vedder. Ele, alias, é realmente quem fala pela banda. Mesmo tentando não falar a respeito de política, o vocalista diz em determinado momento que "Se você tem um microfone na mão, tem que se posicionar". Ele também contou que recentemente havia recebido uma ligação de Chris Novoselic, ex-Nirvana, e sugeriu seu nome para as próximas eleições. Falando em nome da banda, disse que Barack Obama ainda tem muito trabalho pela frente e que acredita que algo sério está sendo feito a respeito dos conflitos que se arrastam no Oriente Médio. Para arrematar, disse ainda que concordava com o presidente norte-americano: "Kanye West é um idiota", referindo-se ao episódio em que o rapper tomou das mãos o microfone de Taylor Swift, que agradecia por seu prêmio no VMA americano, para dizer que quem merecia ter vencido era Beyoncé. A platéia riu e aplaudiu (Veja aqui).

O último set do show foi iniciado com "Given to Fly", com uma lindíssima iluminação de palco e cantada, palavra por palavra, junto com o publico.

O Pearl Jam mostrou que vive um dos melhores momentos de sua carreira. A maturidade de seus integrantes como músicos e seres pensantes atingiu um patamar que não os deixaram óbvios ou com pouco brilho. Vê-se claramente que ainda há uma veia punk pulsando dentro deles e que ainda que as canções do disco novo sejam mais líricas e menos nervosas, elas não são menos complexas. Acima de tudo, é bom poder sair de um show com a sensação de que continuamos vivos".

Legal o texto da Monaliza. Se você tiver a fim de trocar idéias com ela, escreva para mona.souza@gmail.com

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