Qua, 28 Out, 07h14
Elena Moreno.
Nações Unidas, 28 out (EFE).- Cuba obteve de novo, nesta quarta-feira, o apoio da Assembleia Geral da ONU contra o embargo que os Estados Unidos impõem ao regime comunista de Havana desde 1962.
Ao mesmo tempo, autoridades da ilha criticaram as poucas mudanças ocorridas na política americana para Cuba desde a chegada de Barack Obama à Casa Branca.
O ministro das Relações Exteriores da ilha, Bruno Rodríguez, apresentou à Assembleia Geral uma resolução pedindo a suspensão do embargo econômico e comercial sobre o seu país. O texto recebeu o apoio quase total dos 192 países que integram a ONU.
A favor da iniciativa, votaram 187 países. Apenas EUA, Israel e Palau se posicionaram contra, ao passo que as Ilhas Marshall e a Micronésia se abstiveram.
Esta foi a 18ª vez consecutiva em que a Assembleia Geral da ONU se pronunciou a favor da suspensão do embargo a Cuba. Por outro lado, foi a primeira em que o órgão tratou do assunto desde a chegada de Obama à Presidência dos EUA.
Quando tomou posse, em janeiro, o presidente americano prometeu mudanças na política externa de Washington e disse que estenderia a mão aos tradicionais inimigos americanos, como Cuba, Coreia do Norte e Irã.
Nos discursos de hoje, os representantes da maioria dos países manifestaram o desejo de ver o Governo de Obama normalizar as relações com Cuba. Por outro lado, pediram pleno respeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão na ilha.
As restrições comerciais e financeiras impostas a Cuba, que datam de 1962 e foram instituídas por John F. Kennedy, causaram prejuízos de US$ 242,4 milhões à economia cubana em 2008 e perdas de US$ 96 bilhões desde que foram implementadas, segundo o Governo da ilha.
Ao defender a resolução, o chanceler cubano disse que o bloqueio sobre seu país é "uma política absurda que provoca sofrimento e escassez".
Ele também se referiu ao embargo como uma "violação maciça, flagrante e sistemática dos direitos humanos", e alegou que, segundo a Convenção de Genebra de 1948, um ato desse tipo "aparece tipificado como de genocídio" e "eticamente inaceitável".
Após a votação, a embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, criticou "a linguagem de Guerra Fria" utilizada por Rodríguez ao apresentar a resolução.
Para a diplomata, os EUA "têm o direito soberano" de administrar suas relações econômicas da maneira que considerar oportuna. O mesmo princípio, destacou, se aplica às relações com outras nações.
Rice lamentou ainda o fato de Rodríguez ter utilizado o termo "genocídio" para se referir ao embargo, já que, destacou, isso "diminui o significado da palavra em relação ao sofrimento de outros no mundo".
Segundo a embaixadora, a posição cubana ignora as recentes mudanças adotadas pela Administração americana em sua política para a ilha, as quais "poderiam ser um ponto de partida para uma mudança nas relações" entre ambos os países.
Rice acrescentou que, apesar da "linguagem hostil" de Rodríguez, reconhecia "um novo capítulo" na "velha história" entre ambos as nações.
Ela ressaltou que o Governo de Washington já tomou várias medidas em apoio ao povo cubano, como a liberação das viagens de familiares ou do envio de remessas, fora as conversas no âmbito migratório.
"Os EUA demonstraram estar preparados para abordar com o Governo de Cuba assuntos que afetam a segurança e o bem-estar de ambos os povos", afirmou a diplomata.
O chanceler cubano, por sua vez, disse que a retomada das conversas bilaterais sobre migração e remessas são ações "positivas, mas extremamente limitadas e insuficientes". EFE
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