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A aventura da carreira solo

Qua, 28 Out, 02h05

Por Kid Vinil, colunista do Yahoo! Brasil


Quando certos grupos terminam é muito comum seus ex-integrantes partirem para carreira solo. Na história da música pop, as quatro carreiras solo mais bem sucedidas da história são as de Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Star, com a dissolução dos Beatles.

Em 1970, Paul lança seu primeiro álbum chamado "McCartney", seguido por "Ram", de 1971, que considero seu melhor disco em carreira solo. Para mim, quando McCartney lançou "Ram", é como se fosse o disco que os Beatles nunca fizeram.

John Lennon já vinha desde 1968 ao lado de Yoko Ono com suas loucuras e experimentalismos, como em seu disco de casamento, o "Wedding Album", de 1969, e depois "Two Virgins". No mesmo ano, ele lançou o sensacional "Live Peace In Toronto 1969", mas foi em 1970 que sua carreira solo veio para valer. Ele lançou "John Lennon/Plastic Ono Band", seguido por "Imagine", também considerados seus melhores trabalhos.

George Harrison também vinha experimentando desde 1968 com trabalhos mais conceituais, como a trilha "Wonderwall" e o estranhísssimo "Eletronic Sound". Mas foi em 1970 que ele lançou sua verdadeira obra-prima, o álbum triplo "All Things Must Pass".

E, seguindo a ordem dos bem sucedidos, Ringo Starr foi o menos privilegiado, porém cultuado e queridíssimo. Sua carreira solo é a menos clássica dos Beatles, mas ao mesmo tempo curiosa e intrigante. Ringo Starr era apenas um bom baterista, mas tem uma diferença, ele era o batera dos Beatles e é isso que importa. Foram poucos os vocais de Ringo nas musicas dos do Fab Four, mas alguns deles inesquecíveis, como "With A Little Help From My Frineds" do álbum "Sgt Pepper´s Lonely hearts Club Band", de 1967.

A trajetória solo de Ringo Starr também começou em 1970, com o álbum "Sentimental Journey", um disco com regravações de clássicos dos anos 30 e 40. No mesmo ano, ele lançou "Beaucoups Of Blues", mas foi com o álbum "Ringo", de 1973, que o ex-Beatle conseguiu seus melhores resultados. Um detalhe importante, é que nesse disco aparecem todos os Beatles, mas tocando separadamente em certas músicas. Pode-se até considerar uma reunião de todos os membros do grupo num único disco, porém separados.

De repente eu parei para pensar: e os Rolling Stones? Alguém lembra de algum disco solo de Mick Jagger? É verdade, a carreira solo dos integrantes dos Stones não foi tão marcante como a dos ex-Beatles. Mick Jagger fez alguns álbuns solo, mas nenhum deles ficou na história dos discos clássicos, como os ex-Beatles. Talvez, o melhor álbum da carreira solo de Jagger seja "Wandering Spirit", de 1993, que pouca gente ouviu ou prestou atenção. Da mesma forma, Keith Richards, que fez um excelente disco solo em 1988, chamado "Talk is Cheap", que muita gente até já esqueceu.

O guitarrista Ron Wood, que entrou nos Stones em 1976, tem uma das mais produtivas carreiras solo de todos. Ele começou em 1974, depois da sua saída do Faces, com o álbum "I've Got My Own Album To Do". Já lançou 13 discos e um de seus melhores é "Gimme Some Neck", de 1979. E, como sempre o baterista é o mais desprezado, porém não menos talentoso, Charlie Watts é um apaixonado pelo jazz e construiu sua carreira solo paralela aos Stones com discos dedicados ao gênero a partir de 1986. Um dos melhores é "Tribute to Charlie Parker with Strings",de 1991.

E a história se repete, esta semana as notícias que circulam pelo mundo da música são sobre a carreira solo dos ex-Oasis. O guitarrista, vocalista e compositor Noel Galllagher, declarou recentemente que pretende ingressar na carreira solo e começa a planejar seu álbum de estreia para 2010.

Seu irmão Liam não pretende se lançar em carreira solo, disse que prefere montar uma nova banda, mas adverte que não será nada igual ao Oasis. Liam Gallagher quer montar uma banda mais rock'n'roll e deve começar a trabalhar nesse projeto a partir de janeiro de 2010. Atualmente, Liam está promovendo sua linha de roupas chamada "Pretty Green". É estranho ver Liam Gallagher como designer de moda, mas ele mesmo declarou que depois de 18 anos fazendo música era hora de relaxar desenhando roupas interessantes e servindo até como modelo delas em seu site, confira aqui: new.prettygreen.com.

Outro assunto que está nos sites e nas revistas de música esta semana é o lançamento do álbum solo "Phrazes For The Young", do vocalista Julian Casablancas, dos Strokes. Mais um bom exemplo de banda que resolveu dar um tempo, mas não acabou, porém seus integrantes saíram em carreira solo. Primeiro foi o guitarrista Albert Hammond Jr., que já lançou dois bons álbuns. Depois foi a vez do baterista Fabrizio Moretti juntar-se a Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, e à cantora Binki Shapiro e formarem o projeto Little Joy, mais uma empreitada bem sucedida.

A carreira menos comentada foi a do baixista Nikolai Fraiture, com seu projeto Nickel Eye, que resultou no álbum "Tme Of The Assassins", lançado este ano. Agora, tudo indica que o álbum de Julian Casablancas será o mais bem sucedido de todos. É bom nem pensar que seu disco solo vem na linha dos Strokes, Julian tomou o maior cuidado para que o repertório desse disco fosse o mais variado possível e explorasse outros terrenos. Parece que a fórmula deu certo, as primeiras críticas foram bem favoráveis e com uma nota oito do New Musical Express. É, pode ser que a carreira solo de Julian Casablancas acabe decolando. Fica no ar ainda uma promessa de que em 2010 haverá um novo disco dos Strokes, assim esperamos!

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