Sex, 29 Mai, 01h01
(BR Press) - Ronda em Sampa. Assim começa o documentário Um Homem de Moral, que repassa pela memória a carreira de sucesso do compositor e cantor paulista Paulo Vanzolini, e estreia na próxima sexta-feira (05/06), em São Paulo, Rio e Santos.
. Ele mesmo revela, em seu depoimento inicial, que sua mais famosa canção foi feita para homenagear esta cidade e o seu povo, acrescentando que foi o mínimo que pôde fazer por seus habitantes. "Não gosto de cada um pessoalmente, mas de todos de uma forma geral", diz. Ao completar 85 anos de idade, o músico ganha esta linda homenagem, dirigida e roteirizada por Ricardo Dias.
O filme se sustenta a partir de depoimentos do próprio Vanzolini, que vai relembrando toda a carreira a partir de suas muitas composições, que são interpretadas por diversos artistas como Chico Buarque, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Inezita Barroso, Miúcha, entre outros. Tem espaço até para o saudoso Adoniran Barbosa, dizendo em entrevista que os sambas de Vanzolini são mais inteligentes do que os dele. Modesto.
Floresta
A floresta é outra grande paixão de Vanzolini. Em trechos do filme, imagens do curta-metragem Os Calangos do Boiaçu, também de Ricardo Dias, feito com o zoólogo há mais de 15 anos, fica clara a relação de amor do músico com os bichos e a mata. É lá que ele se sente feliz, com cada parte da floresta e com o todo que a completa.
Um Homem de Moral também traz imagens do show gravado no Sesc Vila Mariana em homenagem ao cantor, no mês passado, além de mostrar ensaios de grandes amigos de Vanzolini para o álbum Acerto de Contas, lançado pela gravadora Biscoito Fino, em 2002.
Falar das canções de Vanzolini é uma missão difícil. Tanto que, enquanto Volta Por Cima - uma das composições mais famosas do sambista - é executada, o povão utiliza as ruas e os botecos como palco e canta os versos "Não fica no chão/Nem quer que mulher/Lhe venha dar a mão/Reconhece a queda/E não desanima/Levanta, sacode a poeira/Dá a volta por cima". Momento singelo e mágico.
Causos
Em alguns momentos, Vanzolini conta histórias sobre o processo de composição de cada música. Sua intimidade e ritmo com os versos saltam aos olhos do espectador. Na música Alberto, por exemplo, ele explica que a ideia de fazer a letra surgiu após um estranho chamado Nelson ter puxado conversa.
O sujeito tinha ficado noivo e foi morar na casa da sogra, só que teve que dividir seu amor entre a noiva e a dona da casa, causando o maior rebuliço. Belíssima a brincadeira com os versos da canção! Vanzolini resolveu mudar o nome do homem porque Nelson não rimava com "não deu certo", uma estrofe do poema musicado.
O lado compositor de Vanzolini chama atenção porque ele não inclui na maioria de suas músicas um personagem básico dos sambas: o malandro. Ao contrário, preferiu nuances da Paulicéia desvairada, como os eternizados por Ronda.
Imagens de lugares conhecidos de São Paulo, sobretudo do centro histórico, e de seus moradores se encaixam perfeitamente na proposta do filme. Tanto que, enquanto Volta Por Cima - uma das composições mais famosas do sambista - é executada, o povão utiliza as ruas e os botecos como palco e canta os versos "Não fica no chão/Nem quer que mulher/Lhe venha dar a mão/Reconhece a queda/E não desanima/Levanta, sacode a poeira/Dá a volta por cima". Momento singelo e mágico.
Mais do que uma reconhecida homenagem a Vanzolini, o filme Um Homem de Moral é uma ode à música popular brasileira, com seus grandes sambistas e compositores. O documentário entra em cartaz no dia 5 de junho em São Paulo, Rio de Janeiro e Santos.
(Silvio Luz/Especial para BR Press)
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