Ter, 30 Jun, 01h34
Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil
Bom, a notícia que toma conta do mundo da música é a morte surpreendente de Micheal Jackson. Com todas as datas dos shows em Londres se aproximando, a última coisa que poderíamos esperar era por uma notícia destas. Foi realmente chocante. Eu tinha acabado de chegar na República Checa, onde o Sepultura começa a turnê de verão europeia, e abrindo a página de notícias fiquei sabendo das últimas novidades, tristes novidades.
Em uma coluna que postei aqui recentemente, comentei sobre a volta que Micheal Jackson anunciava em grande estilo. Cinquenta shows, em um único local, Londres,nos últmios seis meses de 2009. Eu fiquei meio desconfiado, não acreditava que ele, depois de tudo que havia acontecido em sua vida - tratamentos de pele, que diziam eram para tratar uma rara manifestação do virtiligo, julgamentos badalados em tribunais de Hollywood sob acusação de pedofilia, processo em que foi absolvido, e várias outras turbulências, doenças e falências. Muita fofoca e mentiras, mas muitas verdades também.
Era visível que ele não teria condições de apresentar o show que as pessoas esperavam ver. Ele não passava a energia dos tempos áureos, não que isso não aconteça com outros artistas, mas ele aparentava estar muito fraco, sem forças para aguentar uma maratona de cinquenta shows. Acompanhei de longe algumas notícias sobre a escolha dos dançarinos e os primeiros ensaios, estava realmente curisoso para ver se ele teria condições de se reinventar. Não deu.
Creio que a pressão de ser o Micheal Jackson é demais para qualquer pessoa, ele era escravo de um personagem fictício que tomou conta do Micheal pessoa, do cara normal, se é que ele foi normal algum dia. Sua carreira é impressionante, desde muito cedo fazendo parte de um fenômeno musical chamado Jackson 5, com os irmãos, sendo guiados a mão de ferro pelo pai e, depois, a inigualável carreira solo. Ela era realmente um gênio, dançava como niguém, a voz era única e o carisma gigantesco. Mas, o tempo passa e temos que respeitá-lo.
Eu vi artistas do mesmo calibre, claro guardando-se as devidas proporções, indo a caminhos mais tranquilos no decorrer da carreira, só pra citar alguns nomes: Ray Charles, Tina Turner, B.B. King, Eric Clapton, Paul McCartney, Sting e David Bowie. Eles, respeitando os limites do tempo e da idade, foram buscar caminhos diferentes na música, escrevendo temas mais românticos, com uma levada mais lenta, se inspiraram no jazz mais suave, na bossa nova e até na música clássica, ou seja, continuaram sendo músicos, sem serem escravos de alguma época ou fase de suas carreiras, criando novos rumos e opções para se expressarem.
Creio que Micheal Jackson teria esta condição, pela experiência, pela carreira, pelos amigos, enfim, pela história fantástica que ele escreveu, de se reinventar em um caminho mas livre da época de "Thriller" e "Bad", atirando-se a novas experiências.
Acho que essa obssessão por ficar jovem para sempre, ser um super-herói ou um super-humano, plásticas infinitas, quase uma troca de indentidade, foi o que desviou Micheal do foco na música. Ele não deveria ter deixado que o showbiz fosse mais importante, a procura da imagem e vida "perfeita". O showbiz não perdoa seus heróis. Infelizmente ele não aguentou a pressão de ser o "rei do pop", de alimentar as espectativas da indústria fonográfica, dos fãs e da mídia.
Micheal Jackson vai continuar inspirando, influenciando e emocionando todas as gerações futuras. É uma pena que tenha morrido tão cedo e tão jovem.
AbraçoMédia (Not Rated)
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