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A morte de Michael Jackson expõe a debilidade de seus fãs

Ter, 30 Jun, 02h31

Por Regis Tadeu, colunista do Yahoo! Brasil


É impressionante como não se consegue falar sobre outra coisa a não a morte de Michael Jackson. Desde os incontáveis especiais de TV, relembrando pela milionésima vez a história mais que batida da trajetória do astro, até as conversas de bar, tudo o que se conversa está relacionado ao cara.

Também fiquei impressionado com a receptividade (ou feedback, se preferir) ao artigo que escrevi no dia seguinte ao falecimento de Jackson (leia aqui), em que expressei minha sincera opinião a respeito de tudo o que acabava de ocorrer. E fíquei impressionado não por causa dos muitos que concordaram comigo, e sim por conta das centenas de leitores que discordaram de meu texto com argumentos mais fracos do que sopa de albergue noturno.

As pessoas que me conhecem - mesmo apenas por meio dos textos que escrevo aqui no Yahoo! - sabe que considero o fã, qualquer fã, um perfeito idiota, mas a indigência cultural com que leitores fanáticos por Michael Jackson demonstraram sua irritação com o meu artigo é algo que deveria ser estudado por sociólogos e educadores. Nem vou comentar a respeito dos milhares e estapafúrdios erros de português, porque aí já seria covardia. O que me chamou a atenção foi o constante uso da palavra "inveja". Sim, o que mais li nas críticas que recebi foi que sou um "invejoso", que não tenho o direito de criticar um astro que vendeu mais 500 milhões de discos.

Não vou publicar os respectivos endereços de e-mails dos leitores citados a seguir porque não tenho autorização para fazê-lo.

A leitora Natália, por exemplo, escreveu "quem é esse Régis Tadeu, que surgiu Deus sabe lá de onde, fazendo crítica à (sic) todos? Quem ele pensa que é para fazer críticas com (sic) ícones da música? Pra mim, ele não passa de um oportunista. Está aproveitando a brecha que deram para ele para fazer fama. Ele tem que primeiro (sic) conseguir um espaço na mídia para mostrar que é bom, depois (sic) conseguir um emprego no Yahoo! Ele tem uma pinta de crítico, mas não tem pose de crítico!"

Outra leitora, Nayara, chegou ao ponto de escrever que "Regis Tadeu que deveria (sic) ser o rei do pop. Ou poderia ser o rei da barba mais feia. Vocês se preocuparam em ficar julgando a vida dos outros igual (sic) aquelas fofoqueiras. Você gostaria de ser 10% do que Michael Jackson foi, cantar ou dançar 5% como ele, mas é um escritorzinho (sic) medíocre, que precisa falar mal dos outros pra aparecer. Não fique chatiado (sic) (pois) sua mãe e seus familiares vão te homenagear também quando você morrer, não fique triste por não ter a importância que o Michael tem, só porque no dia que você morrer não vai sair (sic) na TV".

O leitor Rodrigo escreveu "você vive de criticar o trabalho dos outros, pode até ganhar dinheiro e fama com isso, mas e quando você morrer? O que deixasse (sic) para trás? Não fizesse (sic) nada de grandioso, nada que mereça ser lembrado. Quem lembrara (sic) de você?".

Já a leitora Naiara escreveu que "um site visitado por milhões de pessoas merece um caráter crítico, mas com uma intenção positiva, amorosa. É uma maneira de contribuir para um mundo melhor que está no ideal de pessoas como Michael e outros seres humanos que eternizaram-se neste mundo através do seu exemplo". E por aí vai, só que "ladeira abaixo" em termos de raciocínio, explanação de idéias e concordância gramatical...

Ao contrário do que muita gente pode pensar, não fico chateado e muito menos radiante de felicidade cínica quando sou criticado. Afinal de contas, isso faz parte da minha profissão, cujo principal objetivo é fazer as pessoas pensarem - se elas vão concordar ou discordar de mim, isso fica a critério de cada um. Mas usar o tipo de argumentação que citei nas linhas aí em cima me deixa muito preocupado em relação ao futuro do Brasil como "nação pensante".

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