Agência Estado

Microsoft e Yahoo se unem contra o Google

Qui, 30 Jul, 01h21

A Microsoft finalmente convenceu o Yahoo a ceder o controle de seu serviço de buscas, o segundo mais popular da internet, e juntar forças para combater o domínio do Google no mercado de publicidade online. Ontem, Microsoft e Yahoo anunciaram um acordo, válido por 10 anos, pelo qual o Yahoo passa a adotar a tecnologia de buscas da Microsoft, chamada Bing, e seu sistema de vendas de anúncios online.

Com a audiência do Yahoo, a fatia da Microsoft no mercado americano de buscas passa de 8% para 28%. A gigante do software espera, com o acordo, tirar mercado do Google, que fatura mais de US$ 20 bilhões por ano em publicidade na web. Segundo dados da ComScore, o Google tem 65% do mercado de buscas nos EUA.

Pelo acordo, a Microsoft fica responsável pela venda automática de anúncios pela internet (que é onde o Google faz dinheiro), e a equipe do Yahoo pelo atendimento de grandes contas, com seus vendedores. O Yahoo não recebeu nenhum dinheiro antecipado pelo acordo, mas vai ficar com uma participação nas vendas. Os sites do Yahoo atraem mais de 570 milhões de pessoas por mês em todo o mundo.

O acordo foi recebido pelo mercado acionário como uma derrota para o Yahoo. Há 14 meses, a Microsoft ofereceu US$ 9 bilhões para fechar uma parceria de publicidade em buscas com o Yahoo, que não foram aceitos. O Yahoo também recusou uma proposta de US$ 47,5 bilhões que a Microsoft tinha feito para comprar toda a empresa. Agora, O Yahoo vai receber 88% da publicidade das buscas em seu site, o que está acima da comissão normal de 70% a 80%. Com a redução de gastos com tecnologia de busca, o Yahoo planeja ampliar seu lucro operacional anual em cerca de US$ 500 milhões. Mas não antes de 2012, quando as empresas esperam que o acordo esteja realmente funcionando.

"Acho que muitas pessoas estão olhando para os números e vendo um monte de pontos de interrogação, quando esperavam ver pontos de exclamação", disse o analista Scott Kessler, da Standard & Poors. As ações do Yahoo caíram ontem 12% na bolsa eletrônica Nasdaq, cotadas a US$ 15,14, ante a decepção dos investidores pela ausência de um pagamento imediato. As ações da Microsoft subiram 1,41%, para US$ 23,80, e as do Google caíram 0,82%, para US$ 436,24.

RAPIDEZ

A presidente do Yahoo, Carol Bartz, levou somente seis meses para fechar um acordo com a Microsoft, coisa que os seus dois predecessores, Terry Semel e Jerry Yang, cofundador do Yahoo, não pareceram interessados em fazer. "Esse negócio corrige muitos erros estúpidos feitos pelas administrações anteriores", disse Rob Enderle, analista de tecnologia, para quem o Yahoo deveria gastar mais energia no desenvolvimento de serviços para competir com empresas como o Facebook.

Logo depois que assumiu a presidência da empresa, Carol disse que estaria disposta a negociar o serviço de buscas do Yahoo por "navios de dinheiro", contanto que a companhia mantivesse o acesso adequado às informações sobre os interesses de seus usuários. Ontem, ela previu que o acordo irá enriquecer a empresa no longo prazo. "Esse acordo traz navios de valor para o Yahoo, seus usuários e o setor", disse a executiva.

O Yahoo terá acesso limitado aos dados sobre as buscas, que permitem adaptar os anúncios aos interesses dos usuários. O presidente da Microsoft, Steve Ballmer, mal conseguia conter a animação de ter conseguido finalmente convencer o Yahoo, algo que ele vem tentando há pelo menos três anos.

"Estou muito animado", disse Ballmer. "Isso é o que venho dizendo basicamente pelos últimos 18 meses: o mundo será mais bem servido para consumidores, anunciantes e produtores de conteúdo, e haverá mais competição para o Google, se conseguíssemos de alguma maneira juntar a Microsoft e o Yahoo em buscas."

APROVAÇÃO

As autoridades antitruste terão de aprovar o plano, para garantir que o acordo não prejudique a competição ou ameace a privacidade das pessoas que usam mecanismos de busca. Durante o processo de aprovação, o acordo também deve receber oposição do Google, que desistiu de uma parceria em publicidade de buscas com o Yahoo no ano passado, depois de ser pressionado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O Yahoo e a Microsoft esperam uma "análise detalhada" do acordo, mas estão "esperançosos" de que receberão um sinal verde das autoridades no começo de 2010. Ontem, o Google disse somente que está "interessado" na parceria, enquanto o presidente da comissão antitruste do Senado dos EUA afirmou que o acordo merece uma "análise cuidadosa".

Os analistas acham que será difícil para as duas empresas terem um impacto importante na participação do Google no mercado de buscas, mas que a parceria foi um passo na direção correta. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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