Qui, 08 Mai, 10h24
HONG KONG (AFP) - Um jornalista paquistanês que trabalha nas zonas tribais de seu país, uma nova frente da "guerra contra o terrorismo" liderada pelos Estados Unidos e seus aliados contra a Al-Qaeda, obteve nesta quinta-feira o primeiro prêmio Kate Webb, concedido pela Agência France Press (AFP).
Mushtaq Yusufzai, de 32 anos, é o primeiro laureado com este prêmio que recompensará anualmente um jornalista da zona Ásia-Pacífico, em memória de Kate Webb, uma jornalista da AFP que se destacou cobrindo inúmeros conflitos na região e que morreu de câncer ano passado, aos 64 anos.
O prêmio homenageia profissionais da imprensa escrita e da televisão que exercem a profissão em zonas perigosas. Além disso, o ganhador recebe 5.000 euros que deve ser usado para financiar uma viagem ao exterior.
Yusufzai, do jornal paquistanês 'The News', conseguiu informações exclusivas e reportagens interessantes sobre as zonas tribais do noroeste do Paquistão, onde os combatentes extremistas islamitas são muito ativos, local que os Estados Unidos consideram um novo "refúgio" da Al-Qaeda e dos talibãs.
O jornalista também é correspondente internacional da rede americana de televisão NBC.
"Ele demonstrou uma grande importância cobrindo as zonas mais perigosas do mundo para os jornalistas", afirmou Eric Wishart, que presidiu o júri da concessão do prêmio e é diretor regional da zona Ásia-Pacífico da AFP.
"Suas matérias e suas análises mostram bem o que ocorre na fronteira com o Afeganistão, com o mesmo espírito de Kate Webb", elogiou Wishart.
Nessas zonas tribais, Yusufzai já foi ferido pelos talibãs e detido pelas forças de segurança paquistanesas por haver divulgado informações delicadas.
Com o prêmio, o jornalista poderá agora realizar um dos seus sonhos: investigar como e porque as redes muçulmanas fundamentalistas na Europa alimentam os campos de treinamento de jihadistas ligados à Al Qaeda nas zonas tribais paquistanesas.
Kate Webb cobriu para a AFP vários conflitos na Ásia, especialmente, a guerra do Vietnã e os confrontos no Afeganistão nos últimos 30 anos.
Trabalhava sempre priorizando o valor e a importância, na rede de informação, dos correspondentes locais e dos internacionais, que exercem vez por outra sua profissão na sombra e colocam suas vidas em risco.
O prêmio será entregue oficialmente a Yusufzai em uma cerimônia no Clube de Correspondentes de Imprensa Internacional de Hong Kong, mas a data ainda será anunciada em junho.
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