Qui, 22 Mai, 09h01
GENEBRA (AFP) - O relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, Olivier de Schutter, pediu nesta quinta-feira diante do Conselho dos Direitos Humanos da ONU o congelamento dos investimentos e dos subsídios em favor da produção de biocombustíveis.
Tal decisão enviaria "um sinal forte" aos mercados e frearia a especulação sobre os produtos alimentares, argumentou Schutter diante do Conselho, reunido em sessão extraordinária em Genebra para analisar as conseqüências sobre os direitos humanos da crise alimentar mundial.
Schutter sucedeu no início deste mês ao precedente relator para o direito à alimentação, o suíço Jean Ziegler, que havia qualificado a política em favor dos biocombustíveis de "crime contra a humanidade".
O novo relator também considerou os biocombustíveis como "um fator de peso" que contribui para o aumento dos preços dos alimentos.
Cem milhões de hectares seriam necessários para produzir 5% dos combustíveis em 2015, e "isso é simplesmente insuportável", declarou Schutter. Ele qualificou de "surrealistas" os objetivos dos Estados Unidos de 136 bilhões de litros de biocombustíveis para 2022, e da União Européia de 10% de biocombustíveis para os transportes em 2020.
"Ao abandonar esses objetivos, enviaríamos aos mercados um sinal forte de que o preço dos produtos alimentares não vai subir para sempre, desestimulando assim a especulação", sustentou.
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