Dom, 13 Jul, 12h28
PARIS (AFP) - Se for secretado em quantidade muito grande, ou durante muito tempo, um dos hormônios que permitem que as conexões entre os neurônios se adaptem em caso de estresse pode ser a causa da depressão, revelam trabalhos com ratos realizados por cientistas franceses.
Os trabalhos, dirigidos por Laurent Groc, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) francês, e Francis Chaouloff, do Instituto Nacional de Saúde e de Pesquisa Médica (Inserm), foram publicados sexta-feira, na revista "Nature Neuroscience".
Esses estudos devem permitir aos cientistas identificar novas frentes terapêuticas de ataque nas patologias psiquiátricas, como o estado de estresse pós-traumático, ou a depressão.
"Quando nos vemos submetidos a um estresse, nossas glândulas supra-renais segregam hormônios que vão agir em todo o organismo", lembram ambos os pesquisadores.
Entre esses hormônios, o cortisol (corticosterona nos ratos de laboratório) permite se adaptar ao estímulo, modificando a intensidade de transmissão das sinapses excitadoras, que representam mais de 80% das sinapses.
Esse hormônio "aumenta a mobilidade dos receptores situados na superfície dos neurônios", o que aumenta a plasticidade das sinapses e permite às conexões sinápticas "se adaptar mais eficazmente às demandas da atividade cerebral", explicam os pesquisadores.
Pelo contrário, se o estresse for de grande amplitude (de várias horas), ou reiterado, a secreção de cortisol em grande quantidade e de modo durável reduz as capacidades de plasticidade das sinapses. Essa hipersecreção se torna nefasta, "a ponto de acelerar o envelhecimento e facilitar a aparição de doenças, como a depressão".
Isso se explica, segundo os pesquisadores, pelo fato de que, nesse caso, esse hormônio do estresse aumenta o número de receptores mobilizados no nível da sinapse, diminuindo suas possibilidades de plasticidade.
"Desse modo, agora, pode-se imaginar que, em alguns indivíduos submetidos a estresse importante, a falta de mobilidade dos receptores contribui para a falta de adaptação", destacam os pesquisadores.
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