Sáb, 26 Jul, 07h03
ROMA (AFP) - Duas crianças, de dois e quatro anos, respctivamente, originárias da Nigéria morreram em um barco que as levava para a Itália junto com outros 73 imigrantes clandestinos, informou neste sábado a imprensa italiana.
Mais de 350 imigrantes ilegais chegaram neste sábado às ilhas italianas de Sardenha e Lampedusa.
Os corpos das duas crianças foram jogados ao mar, segundo relatou o pai a tripulação da lancha italiana que socorreu os clandestinos.
As crianças aparentemente morreram por causa de uma desidratação.
A embarcação, uma barcaça que transportava 75 passageiros, foi socorrida pela guarda-costeira italiana ao sul da ilha de Lampedusa.
Este drama acontece um dia depois que o governo italiano ampliou para todo o território a declaração de estado de emergência ante a imigração clandestina, já em vigor em certas regiões há vários anos.
Essa declaração de urgência permitirá, em particular, acelerar a construção de novos centros de retenção dos imigrantes clandestinos, explicou o ministro da Defesa, Ignazio La Russa.
Em entrevista coletiva, o ministro do Interior, Roberto Maroni, disse que o estado de emergência era "uma medida técnica, já utilizada no passado e útil para recorrer a procedimentos (administrativos) rápidos".
Trata-se da "prorrogação de uma prorrogação", acrescentou, minimizando a medida, diante das críticas da oposição.
"É uma decisão abominável", avaliou o vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Democrático, Giancarlo Bressa. "Esse governo é incapaz de governar sobre os assuntos verdadeiros e sérios e tenta meter medo nas pessoas", completou.
"É um clima de estado policial", insistiu Rosy Bindi, vice-presidente da Câmara, enquanto o governo da região de Púglia (sul), Nichi Vendola, falou de "pedaço de fascismo".
As medidas contra a imigração tomadas pelo governo de Berlusconi, desde sua chegada ao poder em maio passado, foram criticadas pelo Parlamento europeu.
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