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Milhares vão às ruas no Dia do Trabalho protestar contra crise

Sex, 01 Mai, 08h37

BERLIM, Alemanha (AFP) - Centenas de milhares de pessoas foram às ruas nesta sexta-feira em todo o mundo por ocasião do Dia do Trabalho, em manifestações às vezes marcadas pela violência e num momento de grave crise econômica.

Na Alemanha, confrontos entre a polícia, militantes de extrema esquerda e jovens neofacistas deixaram vários feridos, especialmente em Berlim, mas também houve pancadaria em Dortmund (oeste), Ulm (sudoeste) e Mayence (oeste).

No total, centenas de militantes foram detidos em toda a Alemanha, onde quase 500 mil pessoas saíram às ruas para expressar sua indignação em um país que prevê sua pior recessão desde o pós-guerra.

Os atos de violência hoje foram "particularmente intensos", disse à AFP um porta-voz da polícia de Berlim, informando que há vários feridos.

Em Ulm, a polícia teve dificuldades para conter cerca de mil ativistas do partido neonazista NPD e milhares de contramanifestantes, que se enfrentaram com pedras e coquetéis molotov, em meio a carros incendiados.

Em Dortmund, cerca de 200 militantes neonazistas atacaram uma passeata convocada por sindicatos, e a polícia deteve cerca de 150 pessoas.

O Dia do Trabalho é marcado há décadas na Alemanha por violentos enfrentamentos entre extremistas e policiais. Cinco mil policiais foram mobilizados em Berlim.

Na Turquia, cerca de 50 pessoas, entre elas 36 policiais, foram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais em Istambul e em Ancara. Os enfrentamentos duraram várias horas em Istambul, onde manifestantes atacaram a polícia a pedradas e coquetéis molotov e promoveram um gigantesco quebra-quebra no centro da cidade. Os policiais recorreram a bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água para repelir os baderneiros.

Incidentes isolados foram registrados na Grécia, sobretudo em Atenas, onde algumas centenas de jovens atiraram coquetéis molotov.

Na França, 465.000 pessoas, segundo a polícia, e 1,2 milhão, segundo a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), foram às ruas. Pela primeira vez na história, todos os sindicatos franceses apareceram unidos neste Dia do Trabalho, criticando a política do presidente Nicolas Sarkozy. A contestação decorrente da crise econômica se radicalizou muito na França, com o sequestro de vários presidentes de empresas.

Na Itália, os líderes do maiores sindicatos do país se reuniram em L'Aquila, em sinal de solidariedade com as vítimas do terremoto que devastou a região no mês passado.

Mais de 10.000 pessoas foram às ruas em Madri para protestar contra a crise econômica. Com uma taxa de desemprego de 17,36%, a mais alta da União Europeia (UE) a Espanha é um dos países europeus mais abalados pela crise.

Na Rússia, onde manifestações foram organizadas em várias cidades, a polícia prendeu uma centena de simpatizantes de extrema direita que tentavam protestar em São Petersburgo.

Em Varsóvia, manifestantes se reuniram diante da sede do Parlamento clamando por "liberdade, igualdade e socialismo".

Em Viena, cerca de 100.000 pessoas foram às ruas para pedir uma maior "igualdade fiscal", e 20 pessoas foram feridas em confrontos entre policiais e manifestantes em Linz, no norte da Áustria.

Manifestações também ocorreram em Tóquio, Seul e Manila, assim como em alguns países africanos, para denunciar o alto custo da vida e pedir a diminuição dos preços dos produtos mais consumidos.

Em Cuba, meio milhão de trabalhadores se reuniram na Praça da Revolução, em Havana, para pedir o fim do embargo americano, enquanto Fidel Castro clamava na imprensa que seu país "nunca se submeterá".

Na Bolívia, o presidente Evo Morales liderou em La Paz uma manifestação de operários e camponeses para celebrar o dia 1 de maio.

Além disso, mais de 20 pessoas foram detidas em Santiago do Chile, durante confrontos entre trabalhadores e policiais.

Na Venezuela, um protesto organizado em Caracas pela oposição ao presidente Hugo Chávez foi repelido com violência pela polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo, jatos d'água e até balas de borracha, constataram jornalistas da AFP. Enquanto isso, partidários de Chávez se manifestavam tranquilamente no centro de Caracas.

No México, foco da epidemia de gripe suína, o Dia do Trabalho passou em branco, com a maioria das pessoas enclausuradas em suas casas.

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