AFP

Polícia ataca manifestantes na Venezuela no 1º de maio

Sex, 01 Mai, 07h08

CARACAS, Venezuela (AFP) - A polícia venezuelana reprimiu com violência nesta sexta-feira, utilizando balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água, uma manifestação pelo dia 1º de maio convocada por sindicatos e partidos de oposição em Caracas, comprovou a AFP no local.

Os manifestantes chegavam ao ponto final da passeata, autorizada pelo governo, quando policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo e atiraram com balas de borracha, para evitar que a multidão seguisse em direção ao Parlamento.

Caminhões dispararam jatos d'água contra os manifestantes, que fugiram para ruas adjacentes e para estações do metrô.

Muitas pessoas, incluindo várias mulheres, passaram mal e alguns desmaiaram.

Nos prédios próximos à passeata, centenas de pessoas foram às janelas para bater panela e ofender os policiais.

A passeata, realizada anualmente pela Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), teve hoje a adesão de partidos políticos da oposição e de associações civis, que exigiram respeito aos direitos políticos e o fim da repressão do governo de Hugo Chávez.

"Lamentavelmente, mais uma vez uma manifestação pacífica foi reprimida pela polícia e a Guarda Nacional. Não pensem que o povo vai abandonar as ruas", disse Henry Ramos, secretário-geral do partido social democrata Ação Democrática.

O deputado Isamel García, do partido de esquerda moderada Podemos, denunciou a "desmedida repressão policial" e qualificou as agressões da polícia de "um abuso do governo" do presidente Hugo Chávez.

Já o presidente venezuelano defendeu a ação policial afirmando que foi a oposição que provocou a violência, com seu protesto liderado por "conspiradores e ressentidos".

"Lamentavelmente, como sempre ocorre, a contrarrevolução (...) em desespero e quase nula convoca algo que termina em violência e ataque contra as forças da ordem", disse Chávez em discurso aos "trabalhadores socialistas" por ocasião do 1º de Maio.

"Não foi uma passeata de trabalhadores, eram conspiradores, ressentidos, que estavam cheios de ódio (...) e a Guarda Nacional foi obrigada a dispersá-los com um ou outro potinho de gás lacrimogêneo...", disse o presidente.

Durante o protesto, os manifestantes exibiram fotos do ex-candidato presidencial Manuel Rosales, exilado no Peru, e cartazes de apoio ao prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, cuja administração tem sido esvaziada por diversas medidas do legislativo, controlado por Chávez.

Em uma contramanifestação, milhares de partidários de Chávez desfilaram pelo centro de Caracas, para apoiar as políticas socialistas do governo.

Os manifestantes "chavistas" partiram de três pontos diferentes da capital para chegar à avenida Urdaneta, onde grupos musicais fazem um show.

Com camisas e bandeiras vermelhas, os manifestantes gritaram palavras de apoio a Chávez e celebraram o aumento do salário mínimo.

O governo Chávez enfrenta uma crescente oposição de trabalhadores das estatais, especialmente do setor petroleiro, assim como de professores e do pessoal da saúde.

RECOMENDE ESTA NOTÍCIA

Minha recomendação:

Média (Not Rated)

0.0 stars