Sáb, 04 Jul, 06h04
NAYPYIDAW, França (AFP) - A junta militar birmanesa proibiu neste sábado o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de se encontrar com a líder opositora Aung San Suu Kyi durante sua passagem por Mianmar.
Ban disse que a decisão "é um revés para a comunidade internacional e uma oportunidade desperdiçada pelas autoridades birmanesas".
"Estou profundamente decepcionado", declarou, no último dia de sua visita ao país.
O secretário-geral das Nações Unidas informou a imprensa sobre a negativa da junta após um segundo encontro com o general Than Shwe na nova capital, Naypyidaw.
Para justificar o veto ao encontro, a junta alegou que Suu Kyi é alvo de um processo judicial.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse após tomar conhecimento da proibição do encontro, que considera a possibilidade de impor novas sanções internacionais contra a junta birmanesa.
"Esperamos o relatório do secretário-geral", destacou Brown em um comunicado. "Espero que ainda exista a possibilidade de uma mudança de foco por parte de Mianmar", continuou.
"Se este não for o caso, minha triste conclusão é que o regime birmanês vai obrigar a comunidade internacional a estudar um fortalecimento de seu isolamento, que inclui a possibilidade de mais sanções", acrescentou.
A líder da oposição birmanesa foi julgada e está detida desde maio na prisão de Insein (norte de Yangon) por uma suposta violação de sua prisão domiciliar, depois de ter hospedado um americano em sua casa.
Suu Kyi pode ser condenada a até cinco anos de prisão, a um ano das eleições prometidas pela junta.
A negativa da junta militar ao pedido de Ban foi um balde de água fria em sua missão, cujo objetivo era tentar mudar o panorama político e de liberdades civis em Mianmar. Além disso, o fracasso do secretário-geral pode prejudicar seu prestígio no plano internacional.
Antes de se reunir com o general birmanês, Ban discursou para um grupo de diplomatas em Yangon.
"Estou aqui hoje para dizermos: Mianmar, você não está sozinha. Queremos trabalhar com você para que se torne uma nação unificada, pacífica, próspera, democrática e moderna", disse Ban.
Mas, ponderou, "o balanço de Mianmar em matéria de direitos humanos continua sendo um assunto de grande preocupação".
"Para serem críveis, as próximas eleições - as primeiras em 20 anos - devem (...) garantir a participação de todos e serem transparentes", declarou.
Ban já deixou Mianmar, de onde seguiu para Bangcoc.
Aung San Suu Kyi, de 64 anos, secretária-geral da Liga Nacional para a Democracia (LND) e prêmio Nobel da Paz, passou mais de 13 dos últimos 19 anos presa.
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